O país respira mais confiança. O turismo está de regresso e tem futuro neste território à beira-mar plantado. Nas ruas, de norte a sul, voltamos a ver e a ouvir os turistas a puxarem os seus trolleys, a agitação dos tuk-tuks, aviões no ar e, no caso de Lisboa, os cruzeiros de grande porte já voltaram a atracar no rio Tejo. O mesmo está a acontecer nos arquipélagos dos Açores e da Madeira que, neste ano, foram redescobertos pelos lusitanos e atraem cada vez mais estrangeiros. Sim, o turismo tem futuro e as exportações nacionais agradecem! Há muito caminho para fazer, mas cada vez com "mais sustentabilidade", como afirmou Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, na conferência "Pandemia, e depois? A sustentabilidade como resposta", que decorreu nesta quinta-feira, em Cascais..Ao mesmo tempo que os viajantes regressam, neste sol de outono as famílias portuguesas voltam a reunir-se em casamentos e batizados, cumprindo as regras da Direção-Geral da Saúde para os espaços fechados, mas sem deixar de viver em sociedade. A vacinação não trouxe só a proteção da vida, mas também os sorrisos, a cultura, os valores essenciais e a alegria da partilha..Sem ilusões, acredito que os cidadãos sabem que deitar tudo a perder está fora de questão. Sem ilusões, conhecem o preço alto que foi pago após o último Natal ou a fatura pandémica que coube às empresas e aos milhares de trabalhadores que ficaram sem rendimento ao longo do último ano e meio..A confiança volta a estar no ar. Mas tem de ser agarrada, estimulada, regada. A confiança requer transparência. Transparência na forma como trabalhamos, como integramos ou lideramos uma equipa, como atuamos na economia - seja ela a doméstica, a empresarial ou a pública -, e, claro, na política. Os portugueses querem acreditar que vêm aí dias melhores, com maior equidade..Em plena discussão das linhas gerais do Orçamento do Estado para 2022 e em vésperas da sua entrega no parlamento (na próxima segunda-feira), os portugueses não estão, no entanto, dispostos a mais atos de ilusionismo. Nem todos acreditam, por exemplo, que a classe média vá ser compensada pelo esforço que fez ao longo dos últimos anos e passe a ganhar maior poder de compra em 2022 graças ao reescalonamento do IRS, já prometido pelo governo..Do lado das empresas, já não há ilusões quanto ao choque fiscal pedido pelos patrões, e que beneficiaria a competitividade da economia. E no setor público, os aumentos de 0,9% sabem a pouco, ainda que, como todos sabemos, haja no privado áreas de negócio com aumentos congelados desde os tempos da troika. Ver o copo meio cheio ou meio vazio depende de cada um. Já acreditar em magia depende não só de nós, mas da capacidade do ilusionista. E convém não esquecer que os ilusionismos praticamente levaram-nos à bancarrota em 2011.