Desconfinar, mas devagarinho

Há luz ao fundo do túnel. Os casos de covid caíram a pique, os recuperados dispararam, os internamentos e as mortes estão sob controlo e por isso é possível, enfim, avançar, dizem os especialistas. Leia-se, podemos começar a pensar em desconfinar. Devagarinho... sem grandes confianças. Nada de pôr já muita certeza em prazos que soem a normalidade ou à possibilidade de a economia voltar a andar pelo próprio pé. Abre-se, mas pouco, que enquanto os portugueses se mantiverem em casa os contágios estão controlados - ainda que de forma artificial e de duração diretamente proporcional ao tempo de encerramento.

Nada de restaurantes, espetáculos, compras ou convívios, para não corrermos o risco de dar aos portugueses sinais errados. Não queremos que pensem que podem juntar-se na Páscoa como se juntaram no Natal, com os efeitos que todos conhecemos. Os tempos não estão para isso, entre novas e mais graves variantes do vírus e o formigueiro de quem está fechado em casa há três meses - há um ano a viver em regime de quase prisão domiciliária.

Portanto, é tempo de ver como se vai desconfinar, mas não de abrir - longe disso. Mantenha-se as portas todas fechadas e as pessoas recolhidas. Faça-se um desconfinamento que permita trabalhar - com limites e à distância - e basta. Porque neste, tal como no último confinamento, não se aproveitou para criar condições que permitam desconfinar com método. Não se gizou planos que evitem que os hospitais voltem a ver-se pressionados. As falhas permanecem mais ou menos as mesmas. Os testes massivos, que se recomendam desde o primeiro dia, continuam a ser uma prioridade, mas ainda não se chegou a consenso sobre a forma. Não se criou métodos que ajudem a rastrear e controlar cadeias de possível contágio. A primeira fase da vacinação continua a avançar a passo, alargando-se o âmbito a cada semana mas ficando claro que nem a gaveta dos primeiros dos primeiros - pessoal da saúde e os mais velhinhos - se conseguiu fechar.

Agora, caberá às escolas fazer o teste do algodão de como vamos reabrir o país. Sem vacinas, sem rastreamento e sem grandes planos além das janelas da aula abertas em pleno inverno. Abrir as escolas é necessariamente pôr mais gente na rua, nos transportes, a conviver em espaços relativamente apertados. Resta-nos esperar que a luz ao fundo do túnel não seja novo comboio para nos esmagar a esperança.

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