Premium Um passado que não quer passar

Descoberto, ameaçou falar, denunciando todos quantos tinham metido a mão na caixa corrupta, que também era geral - e de depósitos.

Entre as muitas efemérides de 2019, arriscamo-nos a esquecer a mais popular de todas, a da pizza Margherita. Há precisamente 130 anos, a 11 de Junho de 1889, Rafaelle Esposito saiu da sua pizzaria em Sant'Anna di Palazzo, no centro de Nápoles, levando debaixo do braço três variedades de pizza. Uma delas primava pela singeleza dos materiais: tomate e mozarela salpicados com folhas de basílico, em patriótica réplica do vermelho, branco e verde das cores da bandeira italiana. De visita à cidade, a rainha queria provar aquela massa de pão que o povo comia pelas ruas e que na altura nem se chamava pizza, termo então usado para designar uma torta doce. Na manhã seguinte, o cozinheiro-chefe do palácio foi ao restaurante de Rafaelle perguntar-lhe como se chamava aquela pizza de que a rainha tanto havia gostado. "Margherita", respondeu o pizzaiolo. E hoje lá está, ao coração de Nápoles, na Pizzeria Brandi, uma placa comemorativa do centenário deste sucesso gastronómico. Com justificado orgulho, exibe-se ainda uma carta laudatória da pizza tricolor, assinada por Camillo Galli, secretário particular da rainha Margarida de Sabóia.

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Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

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Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.