Exclusivo A senhora do colete amarelo

Podia pegar nas manifestações em França, nas greves ou na visita do presidente chinês... o trânsito na A1 e a chuva miudinha atrapalhavam-me o pensamento, o prazo para a entrega da crónica aproximava-se e convinha-me escrevê-la na cabeça para a poder enviar assim que chegasse a Lisboa.

Saíra do Porto às 20.00, depois de quatro horas de aulas, o estômago vazio teve um gesto de revolta e tomou o lugar do GPS, conduzindo-me à avenida dos leitões em plena Mealhada. Parei junto a um restaurante qualquer e estacionei num parque vazio e mal iluminado. Assim que saí do carro vi uma senhora de boné branco e colete amarelo refletor, como o dos outros que andam zangados. Estava abrigada debaixo de um telheiro e sorria, disse boa-noite e mais nada. Aproximei-me e dei-lhe uma moeda, surpreendido com aquela forma de pedir como quem não espera nada.

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