Charles Manson fotografado em 2005.

crime

Como o culto de Charles Manson espalhou a morte e o terror em Hollywood há 50 anos

Entre os principais condenados pelas matanças cometidas pela Família Manson, dois morreram, quatro continuam na prisão e um saiu em liberdade condicional. A casa onde um dos crimes foi cometido está à venda e há um investigador do paranormal interessado em comprá-la por 1,76 milhões.

Há 50 anos, membros do culto de Charles Manson matavam cinco pessoas a tiro e à facada, em Hollywood. Entre as vítimas estava a mulher de Roman Polanksi, a atriz Sharon Tate, grávida de oito meses e meio.

Os crimes ocorreram na madrugada de 8 para 9 de agosto de 1969 e, na madrugada de 10 de agosto, o grupo voltou a atacar. Matou da mesma forma cruel o casal Leno e Rosemary LaBianca. Na mesma zona.

Os assassínios chocaram Hollywood, os EUA e o mundo, como comprovam as notícias da época do DN. Alguns dos principais autores dos crimes ainda estão hoje em dia presos e outros já morreram.

Foi o caso do líder da Família Manson, Charles Manson, que morreu em 2017, aos 83 anos. Criminoso durante toda a sua vida, Manson, mais tarde convertido em guru e músico, achava que estava a preparar o grupo para uma revolução.

Os crimes inspiram, até aos dias de hoje, o mundo das artes, do cinema, dos livros, passando pela música. O mais recente exemplo disso é o novo filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez... em Hollywood, que se estreia no dia 15 em Portugal.

A curiosidade dos turistas pelos locais do crime nunca cessou totalmente. E recentemente foi noticiado que Zak Bagans, investigador do paranormal, ator e estrela do reality show Ghost Adventures, tenciona comprar a casa onde a Família Manson assassinou os LaBianca por 1,98 milhões de dólares, ou seja, 1,76 milhões de euros.

Quem foram as vítimas da Família Manson?


Sharon Tate

Modelo e atriz em ascensão depois da sua participação no filme Vale das Bonecas, em 1966, Sharon Tate tinha 26 anos quando foi morta à facada. Isto apesar de estar grávida de oito meses e meio. E ter implorado por misericórdia pelo filho. Foi esfaqueada 16 vezes pelos assassinos, que antes de entrarem na residência cortaram os fios do telefone, subindo a um poste.

O pai da criança era Roman Polanski, o realizador franco-polaco com quem se casara recentemente, em Londres. Este não se encontrava nos EUA na altura do crime e confessou ter levado anos até conseguir recuperar da perda da mulher e do filho.

Os corpos de Sharon Tate e dos amigos, na sua casa em Bel Air, zona nobre de Los Angeles, só foram descobertos posteriormente pela empregada, que alertou as autoridades.

A sua irmã, Debra, testemunhou em inúmeras sessões em tribunal, defendendo que os assassinos nunca fossem libertados. E a sua mãe, Doris, lutou e conseguiu o direito de os familiares testemunharem sobre as suas perdas nos julgamentos e audiências sobre liberdade condicional, recorda a agência Associated Press.

A casa, localizada no n.º 10050 de Cielo Drive, fora construída em 1944 pelo arquiteto Robert Byrd para a atriz francesa Michèle Morgan. Localizada nas colinas de Los Angeles, tinha vista para Sunset Boulevard e para o oceano Pacífico. Em fevereiro de 1969 fora alugada a Roman Polanski e a Sharon Tate.

Demolida em 1994, o endereço da casa foi alterado para Cielo Drive 10066, com o objetivo de afastar curiosos e turistas. Uma nova mansão chamada Villa Bella foi construída no local pelo novo proprietário, Jeff Franklin, o produtor de séries de televisão como Family Matters e Full House.

Jay Sebring
Sebring, natural de Birmingham, no Alabama, era um veterano da Guerra da Coreia da Marinha dos EUA.

Cabeleireiro em Hollywood, Nova Iorque, São Francisco e Londres, ex-namorado de Sharon Tate, Sebring tinha entre os seus clientes nomes como Frank Sinatra, Steve McQueen ou Jim Morrison. Morreu depois de ter sido baleado, pontapeado e esfaqueado múltiplas vezes. Tinha 25 anos.

Na noite fatídica, Sebring tinha estado a jantar com Tate, Wojciech Frykowski e Abigail Folger, outras duas vítimas da Família Manson.

Wojciech Frykowski

Oriundo da Polónia, Wojciech Frykowski era um argumentista, amigo de Roman Polanksi. Tinha 33 anos quando foi assassinado. Segundo revelou a autópsia, foi baleado duas vezes, esfaqueado 50 vezes.

Formado em Química, trabalhou no primeiro filme de Polanski, Knife in the Water, no qual desempenhou o papel de nadador-salvador.

Abigail Folger

Herdeira da fortuna dos cafés Folger, de São Francisco, Abigail era namorada de Wojciech Frykowski à altura dos acontecimentos. Tinha 25 anos. Ainda conseguiu escapar inicialmente aos assassinos, mas foi apanhada, tendo sido esfaqueada 28 vezes.

Formada em Harvard, trabalhou durante algum tempo no Museu de Arte de Berkeley, antes de se mudar para Los Angeles em 1968. Aí começou a dedicar-se ao ativismo e aí conheceu Frykowski.

Stephen Parent

Este estudante de 19 anos estava simplesmente no sítio errado à hora errada. Parent tinha ido visitar William Garretson, vizinho de Tate, quando foi confrontado, no portão de saída, por Charles "Tex" Watson, que o baleou.

Parent, natural de Los Angeles, adorava música e tocava guitarra. Naquela noite tinha ido à casa de Garretson para tentar vender-lhe um relógio. Teve azar. Garretson morreu, vítima de cancro, em 2016.

Leno e Rosemary LaBianca
O casal, dono de uma cadeia de supermercados de Los Angeles, não tinha qualquer ligação com Sharon Tate e os amigos desta.

Leno era filho de imigrantes italianos e serviu na Europa durante a II Guerra Mundial. Casou-se em primeiras núpcias com a sua namorada de liceu, com quem teve três filhos. Mas em 1959 casou-se, pela segunda vez, em Las Vegas, com Rosemary, que era natural do Arizona e também já tinha dois filhos de um casamento anterior.

A última vez que foram vistos em público com vida foi numa bomba de gasolina em que pararam para abastecer. Rosemary até comprou um jornal que tinha na capa a matança em casa de Tate e mostrou-se horrorizada com as notícias.

A sua casa foi escolhida ao acaso por Manson, que os amarrou e que, depois, ordenou aos seus seguidores que os matassem. Tudo aconteceu durante a madrugada. Foram apanhados desprevenidos e a dormir. Ele tinha feito 44 anos há pouco tempo. Ela tinha 40.

O casal foi encontrado morto pelos filhos, que, preocupados por não darem sinal de vida, foram até à sua casa. A mansão de Los Angeles onde a Família Manson assassinou os LaBianca vai ser vendida por 1,98 milhões de dólares, ou seja, 1,76 milhões de euros a Zak Bagans, investigador do paranormal, ator e estrela do reality show Ghost Adventures.

"Há uma energia muito, muito forte nesta casa. Adoro investigar espíritos e lugares. Este é um sítio lindo com uma história muito negra", declarou Bagans, ao jornal britânico The Guardian, sobre o n.º 3311 de Waverly Drive.

Desde que o crime aconteceu, em 1969, a casa já teve vários donos. Os atuais vivem ali há 21 anos. Agora, como vão reformar-se, querem vendê-la.

Gary Hinman

Hinman, um músico da Família Manson, que acolhia membros da seita em sua casa, foi assassinado a 27 de julho. A vítima, que era formada em Química e se preparava para completar um doutoramento em Sociologia, tinha 34 anos quando foi morta à facada.

Teria recebido uma herança, Manson teria sabido e quis obrigá-lo a passar tudo o que tinha para o nome da Família Manson. Nas paredes da casa de Hinman ficou escrito "Political Pig" e pintada uma pata de pantera, para culpar os Panteras Negras (organização urbana socialista revolucionária que organizava patrulhas de cidadãos armados).

Donald "Shorty" Shea

Natural do Massachusetts, Shea mudou-se para a Califórnia para seguir a carreira de ator, tendo trabalhado essencialmente no Spahn Movie Ranch.

Foi assassinado a 26 de agosto de 1969 porque Manson acreditava que ele os tinha denunciado à polícia. Isto porque, dez dias antes, tinha havido um raide policial ao rancho por causa de um roubo de um carro e algumas pessoas foram detidas.

Shea tinha 35 anos quando foi morto. À pancada e à facada. O seu cadáver só foi localizado pelas autoridades muito mais tarde, em 1977, quando Steve Grogan, um dos seus assassinos, revelou o paradeiro dos seus restos mortais à polícia.

O que aconteceu aos assassinos?


Charles Manson

Natural do Ohio, Charles Manson vai buscar o apelido ao padrasto, William Manson, com quem a sua mãe, Kathleen Maddox, se casou depois de ter sido abandonada, ainda grávida, pelo pai dele.

Charles cresceu num ambiente de negligência e aos 13 anos estreou-se no mundo da criminalidade. Habituado a entrar e a sair da cadeia desde jovem, Manson reinventou-se na década de 1960 como filósofo e guru, atraindo todo o tipo de almas perdidas, sobretudo mulheres jovens, que usava para sexo.

Os assassínios do casal La Bianca foram ordenados pessoalmente por Manson, mas durante anos, em tribunal e à polícia, oscilava nas versões. Ora negava ter alguma coisa que ver com as mortes ora se vangloriava pelas mesmas.

Inicialmente condenado à morte, em 1971, viu depois a pena convertida em prisão perpétua. Cumpriu pena numa cadeia especial da Califórnia, até morrer, a 19 de novembro de 2017, aos 83 anos, depois de passar quase meio século preso. A morte foi atribuída a causas naturais.

Na cadeia Manson foi diagnosticado com esquizofrenia e psicose paranoica. Em 2014, pediu autorização para se casar com Elain "Star" Burton, uma rapariga que tinha 26 anos na altura e o visitava há nove, proclamando a sua inocência na internet. A licença de casamento acabou por expirar, no ano seguinte, não tendo a união sido concretizada.

Segundo o jornalista Daniel Simone, o casamento foi cancelado depois de se descobrir que a verdadeira intenção de Burton e de um amigo seu, Craig "Gray Wolf" Hammond, era usar o cadáver de Manson como atração turística depois de ele morrer.

No passado, em 1995, Charles Manson fora casado com Rosalie Jean Willis, uma empregada de hospital, que deu à luz o seu filho, Charles Manson Jr., numa das muitas vezes em que ele esteve detido.

Em 1986, Charles Manson deu uma entrevista a Charlie Rose do 60 Minutes da CBS News. A certa altura, quando é pressionado pelo jornalista a dar respostas sobre os assassínios, Manson torna-se combativo e afirma: "Não há assassínios na guerra santa."

Susan Atkins
Ex-bailarina de striptease, Susan Atkins conheceu Manson num bar, em São Francisco, em 1967. Acabou condenada pelos assassínios Tate-La Bianca e Hinman. Estes estiveram, durante meses, por resolver. Só ficou claro quando Atkins, que estava presa por outras questões, confessou, a uma companheira de cela, o seu envolvimento.

Em tribunal, Atkins, que denunciou Manson, confessou que estava sob o efeito de ácidos quando matou a atriz Sharon Tate. E ainda, entre lágrimas, que não conseguia precisar quantas vezes esfaqueou a atriz enquanto esta implorava pela vida.

Atkins morreu aos 61 anos na cadeia, em 2009, vítima de cancro no cérebro.

Leslie van Houten

Leslie tinha 14 anos quando os pais se separaram. Meteu-se na droga, engravidou e, segundo disse, abortou obrigada pela mãe. Esta enterrou o feto nas traseiras de casa. Van Houten conheceu Manson no Spahn Movie Ranch, em Los Angeles, rancho onde aquele tinha estabelecido a chamada Família Manson.

Van Houten, que na cadeia depois fez uma licenciatura e um mestrado em aconselhamento psicológico, não participou diretamente nos assassínios na casa de Sharon Tate. Mas acompanhou Manson e outros à casa dos La Bianca. Enquanto os outros esfaqueavam o marido, vezes sem conta, ela sufocava a mulher, com uma almofada. Em seguida, quando Charles "Tex" Watson, seguidor de Manson, lhe ordenou que fizesse alguma coisa, ela foi buscar uma faca e esfaqueou Rosemary.

Na prisão, Leslie desenvolveu vários programas de reabilitação para detidos, tendo a sua liberdade condicional sido recomendada várias vezes. No entanto, Jerry Brown, ex-governador da Califórnia, recusou sempre a sua libertação. O seu sucessor, Gavin Newsom, decidiu no mesmo sentido, em junho deste ano, tendo considerado que Leslie, de 69 anos, continua a ser uma ameaça e um perigo. Com esta, já vão em 22 as tentativas para ser libertada. Em vão.

Patricia Krenwinkel
Esta ex-secretária conheceu Manson quando tinha 19 anos, numa festa. Deixou tudo por ele três dias depois. Krenwinkel acreditava que tinha encontrado uma espécie de alma gémea amorosa.

Quando percebeu que esse não era o caso, que Manson abusava dela e a usava para sexo, tentou deixá-lo. Foi sempre impedida, por seguidores do líder, que a vigiavam e a mantinham sob o efeito de drogas.

Em tribunal confessou ter esfaqueado Abigail Folger na casa de Sharon Tate e, na noite seguinte, Leno LaBianca. Foi ela que escreveu nas paredes, com o sangue do empresário dono de uma cadeia de supermercados, "Helter Skelter", "Rise" e "Death to Pigs". Helter Skelter é uma música dos Beatles que, segundo confessou mais tarde em tribunal, Manson acreditava que tinha mensagens subliminares destinadas a si sobre uma revolução iminente.

Patricia Krenwinkel, de 71 anos, continua ainda hoje na cadeia. É a detida do sexo feminino que está há mais tempo atrás das grades, no estado da Califórnia, segundo a BCS News.

Charles "Tex" Watson
Oriundo do Texas, onde tinha abandonado a faculdade, Watson chegou à Califórnia em 1967 em busca de sexo, drogas e rock 'n' roll, conforme admitiu o mesmo na internet.

Watson disse ter conhecido Manson em casa de Dennis Wilson, então baterista dos Beach Boys (este morreu por afogamento aos 39 anos, em 28 de dezembro de 1983).

Ajudante de Manson, Charles "Tex" Watson, hoje com 73 anos e um cristão renascido, liderou o grupo de assassinos até à casa de Sharon Tate, matou Stephen Parent quando este tentava fugir e participou nas mortes de LaBianca.

Autor e coautor de vários livros, continua na prisão, depois de ter visto ser-lhe negada a liberdade condicional.

Bobby Beausoleil

Cumpre pena de prisão perpétua pela morte de Gary Hinman, ocorrida poucos dias antes da matança na casa de Sharon Tate, em Hollywood. Hinma, um músico da Família Manson, que acolhia membros da seita em sua casa, foi assassinado a 27 de julho por Beausoleil. A vítima, que era formada em Química e se preparava pra completar um doutoramento em Sociologia, tinha 34 anos, o assassino tinha 22.

Nas paredes da casa de Hinman, ficou escrito "Political Pig" e pintada uma pata de pantera, para culpar os Panteras Negras. Hoje com 71 anos, Bobby Beausoleil, natural de Santa Bárbara, tem visto todos os pedidos de liberdade condicional negados. O último já neste ano, pelo governador da Califórnia, Gavin Newsom. Na cadeia, dedicou-se à pintura, tendo já exposto o seu trabalho artístico numa galeria de arte de Los Angeles.

Steve Grogan

Grogan, hoje com 73 anos, foi condenado a prisão perpétua pela morte de Donald "Shorty" Shea, um trabalhador do rancho, em 1969. Músico talentoso, constantemente drogado, com problemas mentais, desistiu dos estudos e passou por várias comunidades hippies até chegar ao Spahn Movie Ranch, no sul da Califórnia, na primavera de 1967.

Depois de ter sido preso, Grogan ajudou mais tarde a polícia a encontrar o corpo de Shea, tendo recebido liberdade condicional em 1986. Foi o único membro da seita de Manson condenado a prisão perpétua a ter conseguido isso.

Como influenciou a Família Manson as artes?

O mais recente filme inspirado na Família Manson e nos assassínios por ela cometidos é Era Uma Vez... em Hollywood, de Quentin Tarantino, contando no elenco com nomes como Damon Harriman, Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Al Pacino, Kurt Russell, Tim Roth ou Luke Perry (este último morreu em março). Em Portugal a estreia está marcada para 15 de agosto.

Mas ao longo dos anos foram vários os filmes inspirados pelo culto de Charles Manson: I Drink Your Blood (1970). Helter Skelter (1976). Summer Dreams: The Story of the Beach Boys (1990), The Strangers (2008), Manson, My Name Is Evil (2009), House of Manson (2014). Manson's Lost Girls (2016) ou Charlie Says (2018).

No campo da não fição, vários documentários foram feitos, ao longo dos anos: Manson (1973), Charles Manson Superstar (1989), The Six Degrees of Helter Skelter (2009), Old Man (2012) e Life after Manson (2014) são alguns exemplos. Entre as séries de televisão que o culto inspirou estão Aquarius, American Horror Story: Cult e Mindhunter.

Músicos como Marilyn Manson, Spahn Ranch ou Kasabian inspiraram os seus nomes artísticos ou os nomes das suas bandas na Família Manson. Kasabian, por exemplo, era o sobrenome de Linda Darlene Kasabian, um dos membros da Família Manson, que foi testemunha ocular dos assassínios de 1969, embora não tenha participado ativamente nos crimes. Em troca de imunidade foi usada como a principal peça de acusação no julgamento.

Manson, por exemplo, incluiu na música My Monkey, do álbum Portrait of an American Family, a letra de Mechanical Man, uma das músicas do álbum de Charles Manson Lie: The Love and Terror Cult.

Os Guns N'Roses fizeram uma versão de Look at Your Name, Girl, canção escrita por Charles Manson para o álbum que foi lançado com este na cadeia, Lie: The Love and Terror Cult, nos anos 1970. A banda de Axl Rose incluiu mesmo a música no seu álbum The Spaghetti Incident?, de 1993, tendo sido decidido que os royalties da versão dos Guns iriam para Bartek Frykowski, filho de Wojciech Frykowski, uma das vítimas assassinadas na casa de Sharon Tate.

Em 1992, Trent Reznor, dos Nine Inch Nails, alugou o n.º 10050 de Cielo Drive, o local dos assassínios de Tate, para o usar como estúdio durante a gravação do álbum The Downward Spiral. Durante o tempo em que esteve lá, teve a oportunidade de se encontrar com Debra Tate, a irmã de Sharon.

Numa entrevista à Rolling Stone, em 1997, Reznor lembrou o encontro: 'Você está a explorar a morte de minha irmã estando aqui?', perguntou Tate. O músico confessou que, nesse momento, sentiu uma chapada na cara. E arrependeu-se do fascínio que tinha por Charles Manson.

Segundo a Rolling Stone, as músicas do álbum de Manson ainda têm, hoje em dia, 35 mil reproduções por mês no Spotify. Os lucros vão para fundos que auxiliam vítimas dos seus ataques.

No campo da literatura de ficção, Dead Circus (2003), Jesus Coyote (2008), Ghosts, Cowboys (2011), The Girls (2016) e American Girls (2016) são alguns dos exemplos a referir. No da não fição podem ser realçados livros como The Killing of Sharon Tate (1970), Helter Skelter (1974), Child of Satan, Child of God (1977) ou Manson in His Own Words (1986).

O que o DN escreveu sobre os crimes na altura?

O assassínio de Sharon Tate mereceu grande destaque no Diário de Notícias. "Em Los Angeles. Chacina. A atriz Sharon Tate. Assassinada a tiro", titula o jornal, em letras grandes. E precisa: Três homens e uma mulher foram também encontrados mortos e crivados de balas. Alguns corpos encontravam-se mutilados. A ilustrar o artigo, uma imagem da atriz com o seu marido, Roman Polanski.

"O assassínio de Sharon Tate. Um estranho ritual e uma orgia de sangue", titulava o jornal no dia seguinte, exibindo de novo uma foto do realizador franco-polaco com Tate - tirada no casamento dos dois em Londres. O artigo descrevia o estado em que estavam os corpos quando foram encontrados, dizia que os cabos telefónicos da casa da atriz tinham sido cortados e notava que tinha havido pelo menos uma detenção.

O espanto não acabou aqui. No dia seguinte, nova manchete: "O terror reina em Hollywood. Novo crime. Um casal foi assassinado. Aparentemente pelo mesmo criminoso que matou Sharon Tate e os seus amigos." Alguns dias depois, o Diário de Notícias questionava: "Um monstro em Los Angeles? O mistério adensa-se. Um louco homicida declarou guerra aos ricos na capital do cinema?"

O louco criminoso, sabe-se hoje, eram vários. Uma Família. Idealizada por um homem: Charles Manson.

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