21 infetados. Encerradas escolas e suspensas visitas a hospitais e lares no norte

Eleva-se para 21 o número de pessoas infetadas em Portugal. Um homem que contraiu covid-19 em Itália é responsável por mais dez pessoas infetadas, todas no norte. Governo encerra escolas e suspende visitas a hospitais, lares e prisões na região.

Subiu para 21 o número de infetados em Portugal. Neste sábado surgiram seis novos casos, dados da Direção-Geral da Saúde (DGS). Dezasseis pacientes estão internados no Porto e cinco em Lisboa. Há 224 situações suspeitas, das quais 47 aguardam os resultados das análises.

Estão sob vigilância 412 pessoas e mais de 200 estão ligadas a um homem contaminado em Itália, o que levou o governo a tomar medidas mais duras.

A ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou, em conferência de imprensa, que alguns dos casos confirmados estiveram em instituições de ensino, elevando o risco local de transmissão. "A autoridade nacional e as autoridades regionais de saúde recomendaram tecnicamente o encerramento da Escola Básica e Secundária de Idães, em Felgueiras; na Universidade do Porto, a Faculdade de Farmácia e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, e o edifício do curso de História da Universidade do Minho", informou a governante, salientando estar em avaliação a necessidade de serem tomadas outras medidas.

Ficam também temporariamente suspensas as visitas nos hospitais, nos lares e nas prisões na região norte. Recomenda-se ainda o adiamento de eventos sociais.

A DGS enviou, ao fim do dia sábado, o boletim epidemiológico do coronavírus, registando 15 homens e seis mulheres infetados. As pessoas que estiveram na origem destas contaminações contraíram a doença em Itália (quatro) e em Espanha (um).

Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, explicou na mesma conferência a trajetória do novo coronavírus no país. Um homem contaminadoem Itália transmitiu o vírus a nove pessoas e, destas, uma mulher contaminou outra.

Há um segundo doente infetado no estrangeiro, também do sexo masculino, que transmitiu o vírus a quatro homens e, destes, um infetou outro. Resta um terceiro caso de contaminação importada, este responsável por uma infeção.

A cadeia de transmissão do coronavírus em Portugal assenta em três pessoas, três homens. E há mais duas pessoas contaminadas no estrangeiro e que, até ao momento, não são responsáveis por transmissões do vírus em Portugal.

Estão 412 pessoas sob vigilância, umas em casa e sem cuidados especiais, outras a ser vigiadas por médicos (vigilância ativa), ou seja, encontram-se em isolamento profilático.

"Para pessoas diferentes, riscos diferentes, o aconselhamento terá de ser necessariamente diferente. Os enfermeiros da linha SNS 24 têm algoritmos que percorrem e vão aconselhando de acordo com o risco que identificam para cada pessoa. Depois deste aconselhamento, há um segundo nível de triagem, que é feito na residência destas pessoas por delegados de saúde, e há um reforço de medidas em relação a algumas pessoas", justificou Graça Freitas.

A distribuição etária dos doentes em Portugal é muito variada, entre os 10 e os 69 anos no sexo masculino, tendo seis dos infetados entre 40 e 49 anos. No que diz respeito ao sexo feminino, há dois casos entre os 40 e os 49 anos e um entre os 70 e os 79 anos, tantos como nos grupos etários 10-19, 30-39 e 60-69.

Médicos pedem mais hospitais a confirmar testes

Entretanto, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) pediu neste sábado que mais hospitais tenham meios para confirmar casos positivos de infeção pelo novo coronavírus. Atualmente só existem em duas cidades no país inteiro.

Embora seis hospitais tenham meios de diagnóstico de amostras biológicas, os reagentes para serem sujeitos a confirmação, que permitem concluir se são casos positivos, só existem no Hospital de São João, no Porto, e no Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa.

"Quanto mais tempo demorarmos a confirmar os casos positivos, mais as pessoas que estiveram em contacto com positivos permanecem em contacto com terceiros", disse à agência Lusa o presidente do SIM, Jorge Roque da Cunha.

Se os meios de confirmação existirem em hospitais como os de Faro, Aveiro, Coimbra ou Portalegre, menos tempo se perderá antes da confirmação, considerou.

O SIM pede também que os especialistas em saúde pública sejam libertados do trabalho de fazer juntas médicas para se concentrarem em fazer os planos de contingência que faltam aplicar a nível "nacional, regional e local".

Estes médicos estão "atulhados com juntas para atestados multiusos" e devem poder adiá-las "pelo menos nos próximos dois meses", afirmou Roque da Cunha.

Com Lusa

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