"Fomos Portugal". Uma história de superação

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E quando tudo parecia impossível... eis que os portugueses fizeram mais um "milagre"! A forma como a seleção nacional de futsal deu a volta ao resultado no jogo com a Rússia, e se sagrou bicampeã da Europa, é uma boa e grande lição de superação. Portugal tremeu muito no início do jogo, no domingo, mas nunca desistiu e conseguiu o improvável.

O duelo começou suavemente, como se cada equipa estivesse a estudar ao detalhe o comportamento em campo da outra. A Rússia foi mostrando domínio e, aos dez minutos, chegou o primeiro balde de água fria. O treinador nacional, Jorge Braz, manteve a calma, mas redesenhou o plano. Logo a seguir, novo golo russo, novo balde de água gelada. Portugal estava vencido, mas a equipa não desistiu e muito menos o treinador.

Zicky Té, jogador e também ele uma lição de superação, começou a ameaçar a baliza do adversário, apesar de ter sido Tiago Paçó quem goleou. A confiança cresceu. Na segunda parte, nova ameaça de Zicky Té, novo sofrimento, e marcou André Coelho. A seleção conseguiu recuperar de uma desvantagem de dois golos, mas isso ainda não era suficiente. Era preciso "comer a relva", como se diz na gíria do futebol de onze. Mais um golo de André Coelho e novo reforço da confiança.

Braz, sempre calmo e cerebral, alertou para a importância de gerir bem o jogo até ao último segundo. Desistir? Baixar os braços? Perder o controlo? Nunca! Parecia adivinhar que seria apenas no último segundo que Pany Varela iria fazer o 4-2. Nas bancadas, os adeptos portugueses exibiam um curioso cartaz: "Bagaço > Vodka".

O que nos levou a todos este sucesso? De forma muito simples, Braz respondeu: "Fomos Portugal e tivemos muito orgulho no nosso futsal, no nosso desporto. Fomos felizes todos os dias aqui. Estava com a alma cheia e tinha de terminar assim. Faltava-lhes acreditar um pouco nisso, mas foram fantásticos." "Fomos Portugal" valeu-nos uma reviravolta no marcador e um título europeu. Não é coisa pouca. É a diferença entre chorar e sorrir, entre perder e ganhar. É disso que precisamos, todos, de ser mais vezes mais Portugal, acreditando que conseguimos superar as dificuldades, mesmo quando o adversário se apresenta mais forte, com mais músculo e com mais recursos ou quando os muros parecem intransponíveis.

"O futsal pode ser inspirador para todo o país", afirmou ontem o Presidente da República, que recebeu os jogadores em Belém e se desdobrou em elogios ao selecionador Jorge Braz e ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes. E mais disse: "Ser muito português é sermos heroicos nos momentos cruciais."

Na mesma hora e aproveitando o simbolismo da consagração dos jogadores no Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou o momento para uma mensagem política e alertou que o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) não é "o paraíso ao virar da esquina". "Ou ganhamos ou perdemos. Aqui não há descontos." Um aviso que deixou já à nova maioria absoluta.

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