Premium Brexit, Irlanda e Portugal

Theresa May passou o teste e sobreviveu à convenção conservadora. Era esse o objetivo quando passou a atacar as posições da União Europeia nas últimas duas semanas, circunstancialmente elogiada por alguns (poucos) adversários, que alinharam nas críticas à "intransigência", "arrogância", "inflexibilidade" e "imperialismo" comunitário. Como em quase tudo neste caótico brexit, é no interior do partido conservador que tudo se joga: egos, ambições, traições, luta diária pelo poder e pela vaidade. O Reino Unido vem apenas depois disto. Mas a leitura ensimesmada à direita não pode desvalorizar o estado dos trabalhistas. Saídos da sua convenção anual, ficou mais uma vez evidente que o brexit continua sem merecer uma estratégia apurada, minimamente diferenciadora do governo e que faça do maior partido da oposição um garante de alternativas viáveis. Abraçar um segundo referendo nesta fase só mostra os parcos recursos políticos de Jeremy Corbyn. E é este o estado da política britânica numa fase absolutamente existencial para o país: sem qualidade, sem autoridade, sem rasgo, sem talento, sem um pingo de brilhantismo e inteligência. Para quem, como eu, cresceu a admirar tanto do que vinha da Velha Albion, é confrangedor assistir a tudo isto.

Atravessamos igualmente um tempo de cruzada ideológica, marcada por uma abordagem fortemente emocional da política europeia, ao arrepio de uma tradicional imagem britânica de pragmatismo, de reserva de expressão de sentimentos, de apego ao interesse material, expurgando o debate do essencial estratégico, reduzindo-o a visões maniqueístas, demasiado simplificadas, quando não caricaturadas, fantasiosas e deturpadas da realidade comunitária. Tudo isto ajuda a explicar os défices de preparação na negociação e a ansiedade crescente dentro e fora do Reino Unido, sobretudo nos Estados membros mais expostos ao hard brexit ou à ausência de um acordo regulador da saída, como é o caso da Irlanda e de Portugal.

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