Exclusivo Maria das Dores Meira. "O meu partido já disse que me apoia em Almada. Está tudo dito"

A autarca de Setúbal, em final de mandato naquela cidade, assume querer reconquistar a câmara de Almada para a CDU. Promete, se for eleita, que irá mudar muito na terra onde vive há 52 anos. E admite que se calhar seria bom adiar as eleições autárquicas.

Na sua longa carreira como autarca fez diferença o facto de ser mulher?
Quando me convidaram poucas pessoas me conheciam aqui em Setúbal, poucas pessoas sabiam da minha capacidade de trabalho e intervenção. Senti que o convite era também para cumprir quotas, não ficava mal na fotografia e tudo isso contava para a captação do eleitorado. Depois no terreno a perceção de quem era a mulher Maria das Dores foi mudando e quando se dá a substituição do cabeça de lista, o anterior presidente Carlos Sousa, para mim já havia a ideia de que "ela tem capacidade de trabalho, mas não vai aguentar o embate desta responsabilidade" que é ser presidente num município destes. Como este município estava desorganizado e tão em baixo era muito difícil para qualquer pessoa tomar nas suas mãos esta responsabilidade, mesmo com uma grande equipa como tinha e como tenho.

Quando diziam que não ia aguentar é porque era mulher?
Sim, era isso e nestas circunstâncias. Quando se dá esta substituição, de facto, a câmara estava mesmo muito mal. Há uma figura pública altamente conhecida que na época era vereador aqui na câmara de Setúbal e chama-se Fernando Negrão (PSD) que, quando se deu a substituição, dizia assim: "não há problema, deixem-na ir porque ela não aguenta mais do que sete meses e, portanto, isto vai cair, não vai sequer chegar às eleições". Estávamos no primeiro ano de mandato, e eu dizia-lhe "oh dr. Fernando Negrão pelo menos deixe-me ter parto natural, que são os nove meses". Toda a gente dizia que eu não ia conseguir aguentar, eu ou qualquer outra mulher porque é muito mais difícil provar à sociedade que somos capazes. Não basta falar bem, é preciso trabalhar bem; não basta vestir um vestinho ou uma camisinha mais assim ou mais assado, temos de trabalhar muito bem para as pessoas acreditarem. No princípio foi muito difícil, muito difícil, e chegámos ao final do mandato com uma maioria absoluta. Se tivesse sido um homem diziam que ele seria capaz, vai conseguir. Eu tive de provar a dobrar ou a triplicar. Mas cá estou.

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