Premium Exploração e materialismo

Os direitos dos trabalhadores, sobretudo mais jovens, estão em perigo com a transformação económica. Grande parte dos novos empregos, criados por apps na chamada "gig economy" da Uber, da Airbnb, da TaskRabbit, etc., são temporários, contingentes, precários, mal pagos e sem garantias. O mundo ficou chocado com a descrição das condições laborais no armazém da multinacional Amazon em Tilbury, Essex, na reportagem do Sunday Mirror de Londres, publicada a 27 de Novembro do ano passado, depois de o jornalista Alan Selby lá ter trabalhado cinco semanas. Entretanto, muitos empregos são perdidos para países pobres, onde nas sweatshops se opera em circunstâncias aviltantes. Sempre houve exploração, mas estamos a entrar numa nova realidade, revivendo no mundo digital as piores condições do século XIX.

As razões deste recuo civilizacional são fáceis de entender. A exploração é semelhante porque o fenómeno económico é paralelo. A aceleração tecnológica gera novas tarefas, novos equilíbrios e realidades que escapam a leis, regulamentos, acordos, práticas e exigências tradicionais. As regras do sistema económico, jurídico e social ficam obsoletas, abrindo vazios e oportunidades que permitem o regresso de abusos.

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