Premium Um anúncio de jornal salvou o convento onde o exército andou a criar galinhas

O governo acaba de assinar o contrato de concessão do Convento dos Capuchos, em Leiria, no âmbito do Projeto REVIVE. Há décadas em ruínas, o edifício passou de hospital militar a galinheiro do Exército. Agora vai ser um hotel de charme, com restaurante e piscina.

Um anúncio de jornal chamou a atenção de António Sampaio de Almeida, há uns meses. Era o Estado que abria à concessão o antigo Convento de Santo António dos Capuchos, que há décadas está abandonado, em ruínas, no centro da cidade de Leiria. O empresário acabou por desafiar dois amigos da região - Carlos Martins Oliveira e Paulo José Sousa - a apresentar aquela que seria, afinal, a única proposta: um hotel de charme, com 50 quartos, piscina e restaurante, numa concessão do Estado português válida por 50 anos, ao abrigo do Projeto REVIVE, tornando-se este Eo sexto concurso a ser adjudicado, no total dos 16 imóveis.

E foi com toda a pompa e circunstância que decorreu a assinatura do contrato de concessão daquele edifício, ontem de manhã, em Leiria, com a presença do ministro adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, além das secretárias de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, e da Defesa, Ana Santos Pinho.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rogério Casanova

Arquitectura fundida

Uma consequência inevitável da longevidade enquanto figura pública é a promoção automática a um escalão superior de figura pública: caso se aguentem algumas décadas em funções, deixam de ser tratadas como as outras figuras públicas e passam a ser tratadas como encarnações seculares de sábios religiosos - aqueles que costumavam ficar quinze anos seguidos sentados em posição de lótus a alimentar-se exclusivamente de bambu antes de explicarem o mundo em parábolas. A figura pública pode não desejar essa promoção, e pode até nem detectar a sua chegada. Os sinais acumulam-se lentamente. De um momento para o outro, frases suas começam a ser citadas em memes inspiradores no Facebook; há presidentes a espetar-lhes condecorações no peito, recebe convites mensais para debates em que se tenciona "pensar o país". E um dia, subitamente, a figura pública dá por si sentada à frente de uma câmera de televisão, enquanto Fátima Campos Ferreira lhe pergunta coisas como "Considera-se uma pessoa de emoções?" ou "Acredita em Deus?".

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Ler e/ou escrever

Há muitos anos, recebi um original de ficção de uma autora estreante que pedia uma opinião absolutamente sincera sobre a sua obra. Designar por "obra" o que ainda não devia passar de um rascunho fez-me logo pensar em ego inflamado. Por isso decidi que, se a resposta fosse negativa, não entraria em detalhes, sob o risco de o castelo de cartas cair com demasiado estrondo. Comecei pela sinopse; mas, além de só prometer banalidades, tinha uma repetição escusada, uma imagem de gosto duvidoso, um parêntese que abria e não fechava e até um erro ortográfico que, mesmo com boa vontade, não podia ser gralha. O romance propriamente dito não era melhor, e recusei-o invocando a estrutura confusa, o final previsível, inconsistências várias e um certo desconhecimento da gramática.