O dérbi da Taça foi diferente, mas o Benfica voltou a ganhar

Equipa de Bruno Lage venceu por 2-1 com um futebol de transições fortes. Sporting esteve melhor do que no dérbi do campeonato e viu Bruno Fernandes reanimar a meia-final com um grande golo perto do fim. A 2 de abril há mais

Comecemos pelo fim e por essa obra de arte de Bruno Fernandes que deixou o Sporting vivo nesta meia-final da Taça. Um livre direto soberbo do médio leonino, a minimizar a derrota leonina num dérbi que voltou a ser ganho pelo Benfica. A equipa de Bruno Lage somou a segunda vitória sobre o rival no espaço de quatro dias, agora por 2-1, num jogo em que a equipa da Luz voltou a ser superior na maior parte do tempo mas que teve um figurino bem diferente daquele para o campeonato em Alvalade.

Se o jogo de domingo tinha ficado marcado pela superior exibição de João Félix, este começou também sob a marca do jovem craque encarnado, que logo aos dois minutos ficou a perceber que os leões vinham determinados a não o deixar desequilibrar da mesma forma, quando Tiago Ilori, em estreia na equipa de Keizer, viu um amarelo por entrada dura sobre o benfiquista, por trás.

A revolução de Keizer contra o retoque de Lage

Ilori foi apenas uma das novidades do treinador holandês do Sporting, que revolucionou o onze em relação ao duelo anterior, alterando meia equipa e também o figurino tático. Marcel Keizer fez estrear também o colombiano Borja na lateral esquerda e apresentou um 4x4x2 com Acuña a ajudar no equilíbrio do meio-campo e Luiz Phellype e Jovane como elementos mais ofensivos.

Do outro lado, Bruno Lage apenas mudou duas peças: Svilar na baliza e Salvio em detrimento de Rafa, fazendo Pizzi deslocar-se para a esquerda.

Reforçado na zona central, o Sporting entrou com mais argumentos para lutar pelo controlo da partida, mas viu-se superado por um Benfica que soube montar bem a armadilha ao adversário. Bruno Lage tinha pedido, na véspera, para não se resumir o futebol da sua equipa à qualidade das transições, mas foi assim que desmontou o rival nesta partida. À base de transições rápidas que deixaram sucessivamente a defesa leonina perdida na curva.

Foi assim que o Benfica abriu o marcador, aos 16 minutos. Recuperação de bola de Salvio junto à área encarnada, passe longo em Seferovic, o suíço devolve para a corrida do argentino pela direita até à área contrária, este serve Pizzi e o médio assiste a entrada de Gabriel, que fuzila Renan já na área. Em meia dúzia de toques e de segundos, o Benfica foi de uma área à outra, com quatro homens a garantirem superioridade numérica para a finalização.

O Benfica de transições e um Sporting com bola mas sem jogo

Durante grande parte do tempo, o cenário foi este. O Sporting a tomar conta da posse de bola, mas sem conseguir espaço nem tempo para criar jogo, perante a asfixia da pressão encarnada assim que os leões tentavam meter o primeiro passe no meio-campo contrário.

Incapaz de furar linhas defensivas do Benfica, mais uma vez com Gudelj a não conseguir acrescentar nada à construção ofensiva do Sporting, a equipa leonina obrigava Bruno Fernandes a recuar demasiado à procura da bola e registava uma quantidade anormal de perdas de bola que abriam caminho aos rápidos contragolpes dos encarnados. Chegava a ser impressionante a facilidade com que as águias irrompiam em superioridade pelo último reduto dos leões.

O jogo, no entanto, nada tinha a ver com o de Alvalade. E o Sporting voltou melhor para a segunda metade. Podia até ter empatado, não fosse Wendel ter-se assustado com a facilidade com que apareceu isolado diante de Svilar, aos 57 minutos, num lance em que a defesa encarnada (já com o estreante jovem Ferro ao lado de Rúben Dias - entrara para o lugar do lesionado Jardel ainda na primeira parte) ficou à espera de um fora de jogo inexistente.

Pouco depois, no entanto, a equipa de Marcel Keizer voltava a ficar exposta numa nova saída rápida do Benfica para o ataque que levou a bola, em três toques, até à área leonina. Passe longo de Pizzi a encontrar Seferovic na esquerda, o suíço faz a bola cruzar toda a área até ao lado contrário e João Félix surge solto a fazer um remate-centro que apanha o pé de Ilori e acaba na baliza de Renan.

A infelicidade do internacional jovem português amplificava as debilidades defensivas do Sporting e deixava o Benfica em muito boa posição nesta meia-final.

Bas Dost no assalto final e o génio de Bruno Fernandes

Sobrava a Marcel Keizer o trunfo Bas Dost, guardado de início no banco. A entrada do holandês, para jogar com Luiz Phellype na frente de ataque nos minutos finais, fez finalmente o Sporting empurrar o Benfica para trás. E assim permitiu, por exemplo, a Bruno Fernandes ganhar espaço para progredir pelo meio-campo encarnado, numa jogada que Cervi travou em falta. Aí, o médio leonino soltou o génio e deixou esta meia-final bem viva para a segunda mão, a 2 de abril. (Bas Dost ainda fez a bola entrar na baliza do Benfica mais uma vez, já aos 90', mas já tinha feito falta sobre Svilar).

Para a história do dérbi eterno fica mais uma vitória do Benfica, que reforça o domínio recente sobre o rival: não perde com o Sporting há oito jogos, desde novembro de 2015.

Figura

Gabriel. O médio ganha um papel cada vez mais influente neste Benfica de Bruno Lage, Ao lado de Samaris no meio-campo, o brasileiro é fundamental na pressão sobre o adversário que lhe permite recuperar imensas bolas no meio-campo contrário e, depois, distingue-se pela superior qualidade de passe que alimenta sucessivas fugas dos colegas. Além disso, acrescentou esta noite o golo, o seu primeiro pelo Benfica.

Ficha de jogo

Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.

Benfica - Sporting, 2-1

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores:

1-0, Gabriel, 16 minutos.

2-0, Tiago Ilori, 64 (própria baliza).

2-1, Bruno Fernandes, 82.

Equipas:

- Benfica: Svilar, André Almeida, Jardel (Ferro, 38), Ruben Dias, Grimaldo, Samaris, Gabriel, Pizzi (Cervi, 79), Salvio (Rafa, 60), Seferovic e João Félix.

(Suplentes: Zlobin, Ferro, Jota, Rafa, Gedson, Cervi e Krovinovic).

Treinador: Bruno Lage.

- Sporting: Renan, Bruno Gaspar, Coates, Tiago Ilori, Borja, Wendel (Bas Dost, 75), Gudelj, Bruno Fernandes, Acuña, Jovane Cabral (Diaby, 71) e Luiz Phellype (Raphinha, 89).

(Suplentes: Salin, Jefferson, André Pinto, Raphinha, Diaby, Petrovic e Bas Dost).

Treinador: Marcel Keizer.

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Tiago Ilori (02), Jardel (28), João Félix (49), Bruno Gaspar (58), Gabriel (62), Rafa (71), Diaby (90+2) e Coates (90+4).

Assistência: Cerca de 45.000 espetadores.

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