Licenciados mais velhos estão a ser outra vez arrastados para o desemprego

No grupo das pessoas com 35 a 44 anos, desemprego disparou 26%. É preciso recuar aos anos da crise (2013) para encontrar uma subida maior.

O desemprego total caiu de forma significativa, tendo recuado mais de 17% no último trimestre do ano passado, para um total de 349,1 mil pessoas, o equivalente a uma taxa de desemprego na ordem dos 6,7% da população ativa, um dos níveis mais baixos dos últimos 19 anos, mostra o Instituto Nacional de Estatística (INE) no novo inquérito ao emprego, ontem divulgado.

No entanto, o desemprego de licenciados, que estava a cair de forma consistente e enérgica desde meados de 2016, interrompeu a tendência e disparou mais de 14% no mesmo período. Ou seja, no final de 2018, estavam sem trabalho 89 mil pessoas com curso superior, mais 11 mil do que no final de 2017.

Uma análise mais detalhada dos dados oficiais mostra que o fenómeno do desemprego está a alastrar outra vez entre licenciados, mas nos segmentos etários mais elevados. Isto é, quanto mais velhos, pior a situação.

O número de diplomados desempregados com idades até aos 24 anos, no fundo, o grupo dos que saíram recentemente da universidade, até continuou a reduzir-se. Desceu quase 5%.

Da mesma forma, neste segmento etário mais jovem e mais qualificado, a criação de emprego foi fortíssima, tendo chegado aos 20% em termos homólogos.

Só para se ter um comparativo, o emprego total de pessoas com o ensino superior concluído subiu 7% no mesmo período. O emprego total avançou apenas 1,6%, o ritmo mais baixo desde meados de 2016.

Mais emprego jovem, como está a acontecer, permite uma forte moderação salarial na economia, já que nestas idades os salários são maioritariamente baixos e os níveis de precariedade superiores, indicam vários estudos da Comissão Europeia, do FMI e da OCDE.

Mas quando se olha para os escalões de idade mais altos, o cenário é exatamente o oposto.

Por exemplo, no grupo das pessoas com 35 a 44 anos aumentou mais de 26%. É preciso recuar aos anos da crise (2013) para encontrar uma subida maior do que esta. No final de 2018, havia 26 mil licenciados sem trabalho neste grupo etário.

No grupo dos diplomados 45 aos 54 anos, o desemprego disparou 13%, estando nesta situação 26 mil pessoas.

Finalmente, no escalão dos 25 aos 34 anos, aconteceu o mesmo. O número de licenciados sem trabalho voltou a crescer (mais 15% em termos homólogos). Há mais de dois anos que tal não acontecia.

Descida do desemprego terminou

Os dados ontem revelados pelo INE mostram que a taxa de desemprego se manteve nos 6,7% da população ativa no quarto trimestre, pelo terceiro trimestre consecutivo. Antes disto acontecer, o nível de desemprego da economia portuguesa caiu durante dois anos de forma consistente.

Em todo o caso, a média anual de 2018 baixou para 7%. Ambos (valor anual e marca do quarto trimestre) ainda continuam a ser os valores mais baixos em cerca de 19 anos, desde 2004.

Em todo o caso, nota-se que o mercado de trabalho pode estar a entrar num fim de ciclo.

A descida no número de desempregados abrandou mais um pouco e a criação de emprego está claramente a perder gás.

Segundo o INE, o número de pessoas sem trabalho desceu 17,3% (72,9 mil) em relação ao trimestre homólogo de 2017, totalizando 349,1 mil pessoas no último trimestre de 2018. Estava a cair quase 21% no terceiro trimestre, também em termos homólogos.

O país tem mais pessoas empregadas (cerca de 4883 milhões), mas este grupo cresce cada vez menos. No quarto trimestre, Portugal criou mais 1,6% de empregos - aumentou em 78,1 mil casos em relação ao homólogo - mas esse é o ritmo mais fraco desde meados de 2016.

Face ao terceiro trimestre há inclusivamente uma quebra no emprego (0,4%), a primeira desde finais de 2016, indica o instituto.

Menos desemprego jovem e de longa duração

Como já referido, a taxa de desemprego total estagnou nos tais 6,7% da população ativa, aliviando sobretudo entre os mais jovens (faixa dos 15 aos 24 anos). Segundo o INE, o desemprego afeta agora 19,9% dos jovens em atividade, isto é, um total de 74,6 mil pessoas.

Da mesma forma, "a proporção de desempregados à procura de emprego há 12 e mais meses (longa duração) foi 47,8%, menos 2,2 pontos percentuais (p.p.) e 6,3 p.p., respetivamente, do que nos trimestres anterior e homólogo". Mesmo assim, estão nesta situação quase 167 mil pessoas.

Desemprego bate mais nas ilhas e no sul

"No quarto trimestre de 2018, a taxa de desemprego foi superior à média nacional em quatro regiões do país: Madeira (8,9%), Açores (8,5%), Algarve (7,8%) e Alentejo (7,7%)", observa o INE.

Aliás, é de assinalar que no Alentejo a intensidade do desemprego alastrou, de 6,6% da população ativa no terceiro trimestre para 7,7% no quarto. No Algarve, foi ainda pior. A taxa aumentou de 5% para 7,8%, respetivamente, refletindo a sazonalidade do turismo, que está altamente concentrado nos meses de verão (terceiro trimestre).

A região norte e a Área Metropolitana de Lisboa igualaram a média nacional, ambas com 6,7% da sua população ativa sem trabalho. Apenas a região centro ficou abaixo da média nacional, com 5,7%.

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