Profissões invisíveis. Porque nem só de médicos e enfermeiros vive o hospital
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Hospital Santa Maria

Profissões invisíveis. Porque nem só de médicos e enfermeiros vive o hospital

O Hospital de Santa Maria faz este domingo 65 anos. O maior hospital do país é uma verdadeira cidade, onde trabalham mais de seis mil pessoas. Todas fundamentais ao seu funcionamento, embora quem ali se desloca nem sequer imagine que existe. Quanto mais o que fazem.

O corredor é frio, gelado, como os cadáveres que António Nunes transporta todos os dias. Entre as enfermarias onde morreram, as câmaras frigoríficas e a casa mortuária onde serão entregues às famílias, já preparados para o funeral. O corredor do piso 02 do Hospital de Santa Maria é dado a mitos, um lugar obscuro que poucos conhecem - até se diz que ali viveu um casal de médicos durante anos. Um cenário cinematográfico, repleto de tubagens, longo, inóspito, propício à gravação de filmes de ficção científica como Aliens ou à cena em que o protagonista de Oldboy luta com um bando de criminosos.

Há 24 anos que António Nunes (63) o percorre com os seus mortos. Já houve tempo em que o corredor praticamente não tinha luz, estava degradado em toda a sua extensão... assustador. E ele lá vinha a empurrar as macas, sempre a transportar alguém sem vida, a apanhar sobressaltos de morte: "Às vezes até os cabelos dos braços ficavam em pé. Apanhava com cada susto! Os restaurantes que ficam por cima deixavam aqui restos de comida e isto estava cheio de ratos enormes e gatos."

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