Premium Meninas de uma certa idade

Foi um momento fugaz, uns poucos segundos em que couberam duas vidas e muitas décadas.

Eu tomava o pequeno-almoço na Raio Azul, uma pastelaria próxima da escola artística Soares dos Reis, no Porto, e era a hora da rendição etária - os miúdos engoliam à pressa os últimos pedaços de croissant antes da primeira aula e os aposentados sentavam-se à mesa, desdobrando os jornais e os vagares próprios da idade.

A menina mais nova cruza-se com a menina mais velha, segura-lhe a porta e espera por ela.

Junto à porta envidraçada uma menina bonita com os cabelos pintados de violeta apressa os colegas, "bora, bora!", do lado de fora uma senhora de bengala esforça-se por abrir a porta, as costas muito curvadas mas os olhos ainda vivos, os cabelos brancos tingidos do mesmo tom violeta. A menina mais nova cruza-se com a menina mais velha, segura-lhe a porta e espera por ela. A senhora levanta o rosto e sorriem uma para a outra, como se entre elas estivesse pendurado o espelho do tempo.

Foram dois segundos, não mais do que dois segundos.

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Daniel Deusdado

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