Comboios. Problemas na cobrança deixam passageiros a viajar de graça

CP admite falhas na cobrança de bilhetes em dias de maior procura, o que reduz receitas da empresa no serviço de longo curso. Segurança não está em risco.

Há passageiros que circulam no comboio Intercidades que não pagam bilhete por problemas de cobrança a bordo. A CP assume que este episódio se tem repetido nas últimas semanas, sobretudo no troço entre Lisboa e Faro, que passa por várias estações sem bilheteira. Apesar de esta situação não colocar em perigo a segurança dos passageiros, a empresa pública está a perder receitas devido a estes casos. Os utentes apenas podem utilizar os serviços de longo curso (Alfa Pendular e Intercidades) se reservarem lugar com até 60 dias de antecedência.

"A CP tem conhecimento de que, em dias de maior procura, se verificam situações com clientes que, não tendo comprado a sua viagem antecipadamente num dos diversos canais disponíveis, entram nos comboios sem previamente validarem com o revisor do comboio se existem lugares disponíveis e sem adquirirem a viagem junto dele, como deveriam fazer em cumprimento da regulamentação em vigor", refere fonte oficial ao Dinheiro Vivo.

Os bilhetes para os comboios Intercidades podem ser comprados através dos serviços da CP (site, aplicação móvel, linha de atendimento e bilheteiras), através das caixas de multibanco e de agências de viagem. Só que a empresa pública "não tem presença de meios para a compra de bilhetes em algumas das estações" que estão no percurso deste Intercidades, como Ermidas-Sado e, nessas estações, "é obrigatório que o passageiro se dirija ao agente da CP, antes ou imediatamente após embarque e antes de ocupar lugar, para solicitar a aquisição do respetivo título de transporte. A bordo, o pagamento é feito apenas em numerário. Não estando nestas condições, é considerado passageiro sem bilhete", refere o documento das condições gerais de transporte da empresa.

Só que, dentro do comboio, o revisor acaba por não chegar a estes passageiros que não compraram o bilhete antes de entrarem no comboio.

Esta situação foi denunciada na semana passada por uma passageira através da rede social Facebook. "A partir do meio da viagem, os bilhetes estão esgotados, mas nas estações onde não existem bilheteiras as pessoas entram em busca de um lugar; espalham-se pelos corredores, junto das portas e na zona do bar, amontoadas com todo um aparato de malas, bicicletas, cães, etc", referiu esta utente.

A empresa garante que esta situação não coloca em perigo os passageiros: "A CP procura gerir estas situações com alguma compreensão perante circunstâncias que são de exceção, alertando todos estes clientes para a necessidade de cumprir a regulamentação definida para garantir o conforto da viagem a todos os passageiros."

A CP alega que "tendo em consideração o movimento de passageiros nestas estações e a quantidade de comboios que efetuam paragem nas mesmas, não se justifica a abertura de bilheteiras", mesmo que nestas estações, muitas vezes, entrem pessoas que não têm como aceder a meios alternativos para comprar bilhete. A comissão de trabalhadores diz que a empresa "está a trabalhar abaixo dos recursos mínimos", lamenta o coordenador, José Reizinho.

As viagens do serviço de longo curso renderam 107,1 milhões de euros no ano passado à CP, mais 5,2% face a 2016. Este serviço representou mais de 40% dos proveitos de tráfego da empresa no ano passado.

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