Benfica sem andamento está com um pé fora da Champions

Os encarnados confirmarem aquilo que tem sido regra nos últimos tempos: não têm capacidade para jogar numa competição tão exigente como esta. Os resultados não mentem e a derrota com o Lyon por 3-1 é só mais uma prova. Estiveram sempre muito longe de poderem discutir o resultado e, consequentemente, sonhar com o apuramento para os oitavos. Deixar André Almeida e Pizzi no banco foi incompreensível.

O Benfica voltou nesta terça-feira a mostrar que não tem andamento para a Liga dos Campeões. A derrota em França perante o Lyon, por 3-1, foi tão natural como inevitável, tal foi a diferença de andamento entre as duas equipas, algo que, bem vistas as coisas, até já tinha ficado demonstrado no jogo de há duas semanas na Luz.

Os encarnados ficaram assim praticamente arredados dos oitavos-de-final, restando sonhar com a Liga Europa, já a seis pontos do líder RB Leipzig, que venceu (2-0) em casa do Zenit, e a quatro do Lyon, com que já tem desvantagem no confronto direto.

Bruno Lage voltou a surpreender no onze escolhido para abordar esta partida, deixando de fora André Almeida e Pizzi, fazendo entrar para os seus lugares Tomás Tavares e Gedson Fernandes. Tendo em conta que este era um jogo praticamente decisivo nas contas do apuramento, a decisão do treinador do Benfica é surpreendente, uma vez que abdicou de dois dos jogadores mais experientes da equipa e que tão bom rendimento tinham dado nos últimos jogos.

Gedson não tem a capacidade de decisão e de pensar o jogo que Pizzi oferece. E Tomás Tavares, apesar de aos 18 anos ser um jogador com muito futuro, ainda não tem andamento para a Champions, onde o ritmo é incomparavelmente mais alto do que aquele que existe na I Liga, além de que qualquer erro é, regra geral, penalizado.

A maior prova disso foi que, no primeiro erro cometido pela defesa do Benfica, os franceses abriram o marcador. E foi logo aos quatro minutos. Na sequência de um canto, o central dinamarquês Joachim Anderson apareceu entre os mal posicionados defesas encarnados para bater Vlachodimos.

Ferro assustou e foi para o hospital

Foi um duro golpe para a equipa de Bruno Lage, que entrou em campo a saber que um triunfo a colocava no segundo lugar do grupo G. E, como um mal nunca vem sozinho, eis que pouco depois Vlachodimos saiu da baliza para desfazer um cruzamento e embateu com o braço na cabeça de Ferro. O central caiu desamparado no chão, perdeu os sentidos e depois de alguns minutos a ser assistido saiu na maca, com colar cervical, em ao direção do hospital.

O Benfica estava a revelar os mesmos problemas dos jogos da Liga dos Campeões: uma total incapacidade de ter bola, de fazer uma sequência de passes seguidos e, mais grave ainda, pouca intensidade que originava rapidamente a perda da bola, perante uma equipa francesa bem mais veloz e objetiva.

Cada vez que os avançados do Lyon aceleravam, a defesa do Benfica desorganizava-se completamente, permitindo a Aouar, Reine-Adelaïde, Moussa Dembelé e Memphis Depay aproveitar os espaços que eram oferecidos.

A primeira aparição do Benfica com relativo perigo apenas surgiu aos 27 minutos, quando Gedson rematou por cima da baliza de Anthony Lopes. Contudo, o Lyon fechava muito bem os espaços interiores, recuperando facilmente a bola para lançar ataques rápidos, deixando os encarnados muito longe da baliza. E, num desses lances em que a equipa de Bruno Lage tentava criar perigo, eis que a bola é lançada para a velocidade de Aouar, que passou facilmente por Tomás Tavares, servindo Memphis Depay para o 2-0.

Os campeões nacionais estavam praticamente aniquilados e ainda o jogo nem tinha chegado a meio. Ainda assim, nos instantes finais da primeira parte, Chiquinho obrigou Anthony Lopes a uma defesa de recurso e Gedson perdeu o golo na sequência de um canto.

A ilusão do golo de Seferovic

Anunciava-se a terceira derrota do Benfica em quatro jogos da Champions, algo que só um milagre poderia evitar. Ao intervalo, Bruno Lage lançou Seferovic para o lugar de Gedson, derivando Chiquinho para o flanco direito. É certo que os encarnados surgiram a pressionar mais alto, aproveitando o recuo estratégico do Lyon no terreno, que procurava declaradamente sentenciar a partida no contra-ataque.

Os encarnados estiveram mais perto da baliza adversária, mas apenas um remate de Seferovic assustou os franceses, obrigando Anthony Lopes a fazer uma grande defesa. Bem mais perigosas eram as respostas da equipa francesa, que estava bastante confortável na partida.

O Benfica acabaria por chegar ao golo, já com Pizzi em campo, que fez um passe fantástico a isolar Seferovic, que fez o 2-1 e relançou o jogo. O lance foi inicialmente anulado por fora de jogo, mas depois validado pelo VAR. Faltavam jogar pouco mais de 15 minutos e o certo é que, a partir desse momento, o Lyon voltou a subir no terreno e os encarnados voltaram a "desaparecer" da partida, não mais voltando a incomodar a baliza francesa.

O golo de Bertrand Traoré acabou por confirmar o triunfo da equipa de Rudi Garcia, voltando a colocar a nu as deficiências defensivas da equipa de Bruno Lage, com Jardel a dar muito espaço ao esquerdino para rematar à vontade para o fundo da baliza.

O Benfica ainda não está oficialmente fora da Champions, mas esse é um cenário inevitável. O registo recente dos campeões nacionais na principal prova da UEFA é simplesmente deprimente, pois em 16 jogos nas três últimas épocas contabiliza apenas três vitórias (duas com o AEK Atenas e uma com o Lyon), um empate e 12 derrotas. Um registo que envergonha a história de um clube que se fez grande na Europa.

Foi o jogador que mais desequilibrou a defesa benfiquista através da sua velocidade. Tomás Tavares que o diga, que viu este jovem francês passar por ele como um foguete para o segundo golo marcado por Depay. Do lado do Benfica, aquele passe para o golo de Seferovic mostrou que Pizzi deveria ter jogado de início, mas ainda assim não explica a mediocridade geral da equipa.

FICHA DO JOGO:

Estádio Groupama, em Lyon
Árbitro: Björn Kuipers (Holanda)

Lyon - Anthony Lopes; Dubois, Joachim Andersen, Denayer, Youssouf Koné; Thiago Mendes, Tousart, Aouar (Marcelo, 90'+1); Reine-Adélaïde (Bertrand Traoré, 73') , Moussa Dembelé, Memphis Depay (Cornet, 46')
Treinador: Rudi Garcia

Benfica - Vlachodimos; Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro (Jardel, 16'), Grimaldo; Gedson Fernandes (Seferovic, 46'), Florentino Luís, Gabriel, Franco Cervi (Pizzi, 73'); Chiquinho, Seferovic
Treinador: Bruno Lage

Cartão amarelo a Gabriel (43'), Florentino Luís (47')

Golos: 1-0, Joachim Andersen (4'); 2-0, Memphis Depay (33'); 2-1, Seferovic (78'); 3-1, Bertrand Traoré 90')

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