20 metros. A distância que trava uma ponte Barreiro-Seixal

As duas cidades estão à distância de 800 metros, mas é preciso fazer 13 quilómetros para ir de uma à outra. Projeto para via pedonal e ciclável foi chumbado pela Administração do Porto de Lisboa que quer mais 20 metros no tabuleiro.

Em linha reta, Seixal e Barreiro estão a 800 metros de distância com o rio Coina a separá-las. Mas na realidade a ida de uma cidade à outra obriga a um percurso de 13 quilómetros de carro pois desde 1969 que não existe uma ponte que una os dois concelhos.

E assim vai continuar a ser pois não há datas para o início da construção da ligação pedonal e ciclável anunciada em 2016 como uma "peça" essencial para a mobilidade entre estes municípios da Margem Sul do Tejo.

O projeto para voltar a ligar as duas cidades já conheceu vários episódios e continua sem avançar pois a Administração do Porto de Lisboa emitiu um parecer em que considera ter o anteprojeto desta obra "problemas técnicos relevantes", explicou ao DN fonte oficial da Câmara Municipal do Barreiro.

Decisão que teve como consequência imediata o adiamento de todo o processo relacionado com esta construção como a candidatura a fundos europeus.

A Administração do Porto de Lisboa pretende que o comprimento da parte móvel da ponte seja de 60 metros e não os 40 propostos pelas autarquias.

Como resultado deste parecer o processo está atrasado e o custo da obra aumentou cerca de dois milhões de euros: passou de quatro para seis milhões.

Aproveitar para incluir trânsito rodoviário

Os responsáveis das duas câmaras assumem a importância da ligação que foi interrompida a 18 de setembro de 1969 quando o navio de carga Alger embateu na ponte que possibilitava o tráfego ferroviário entre as duas margens, mas o Barreiro quer aproveitar a necessidade de alterar o projeto para que o tráfego rodoviário seja contemplado na nova infraestrutura.

"Neste momento a autarquia do Barreiro confirma que esta obra é importante, mas deverá ter por base um projeto que pense no futuro e que não se fique só pela circulação pedonal e ciclovia", adiantou ao DN fonte oficial.

A questão financeira assume também um papel importante nesta equação por parte do executivo barreirense. "A Câmara Municipal do Barreiro está neste momento a avaliar qual o melhor timing para a execução do projeto face às suas disponibilidades orçamentais", acrescentou.

Já o Seixal realça a prioridade deste projeto assumindo que "as condições colocadas pela APL, e que diziam respeito ao comprimento da parte móvel da ponte [passar para 60 metros em vez de 40], apesar de as considerarmos desajustadas e que aumentam em mais de 1,5 milhões de euros o custo da ponte, já se encontram por nós ultrapassadas, pelo que não vemos qualquer impedimento para que o projeto avance o quanto antes".

Na resposta ao DN a autarquia frisa que "aponte pedonal Seixal-Barreiro é um investimento na ordem dos seis milhões de euros que queremos concretizar neste mandato".

O projeto desta infraestrutura que ligará os dois concelhos abrange um percurso que parte do aterro do terminal fluvial do Barreiro, com um arco de 2,5 quilómetros de extensão até ao terminal fluvial do Seixal.

Os responsáveis desta câmara lembram que a "ligação pedonal e ciclável entre as duas cidades abre novas hipóteses no campo da mobilidade urbana e sustentável. A ponte proposta apresenta um perfil longitudinal que permitirá a existência, no meio da ponte, de um canal de navegação no rio Coina".

No caso do Seixal esta passagem entre as duas margens deverá ligar depois aos percursos pedonais e cicláveis que já existem na cidade e com ligação às zonas ribeirinhas de Arrentela e Amora.

Ponte inaugurada em 1923

A ligação entre o Barreiro e o Seixal foi inaugurada, apenas com trânsito ferroviário, a 29 de julho de 1923 e funcionou até setembro de 1969 quando uma extensão de cerca de 100 metros ruiu quando o navio Alger embateu na estrutura.

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