Moedas mais crítico de Medina junta independentes para pensar Lisboa

O candidato da coligação PSD/CDS/PPM/MPT/Aliança começa a revelar os erros do adversário. E tem independentes a pensar a cidade, mais virada para os bairros.
Publicado a
Atualizado a

Partiu de uma campanha soft, em que convidava Lisboa a sonhar com outra vida, mas enfim Carlos Moedas começa a apertar o cerco ao adversário socialista e atual autarca, Fernando Medina. Os outdoors que há dias chegaram à rua são irónicos e apontam diretamente às falhas de governação do presidente da Câmara de Lisboa, pegando pelas promessas feitas com alarde e não cumpridas no mandato que está a terminar. Os lembretes para os lisboetas foram postos onde quase todos os veem, nos principais eixos da cidade, como o Saldanha ou a 2.ª Circular.

ImagensimagemDN\\2021\\06\ g-6ccf32af-ccde-4861-9112-6a15e7ce26f4.jpg

A esta campanha mais focada na crítica juntam-se as acusações que o cabeça de lista da coligação PSD/CDS/PPM/MPT/Aliança tem feito nas últimas semanas ao socialista, com uma clara intensificação de presença no terreno por parte do ex-comissário europeu. Desde os festejos "descontrolados" da vitória do Sporting até à ideia de que "Medina tem uma agenda ao serviço do governo", Moedas tem dado sinais de que vai ser muito mais combativo até outubro.

E se a campanha endurece de tom, o candidato também traz novidades à corrida autárquica, tendo constituído há semanas um conselho de independentes que se têm reunido e debatido ideias para a cidade. Trata-se de 54 personalidades das mais diversas áreas da sociedade civil e que, de uma forma transversal, aceitaram o convite para "contribuir para um novo projeto para a cidade de Lisboa".

O pianista Adriano Jordão é um destes independentes que encontrou em Moedas as qualidades políticas e pessoais para o apoiar no salto de administrador da Fundação Gulbenkian para a política autárquica. Mas também se move por motivos que se prendem com a sua própria área profissional. "A razão principal que me leva neste momento a apoiar o candidato é o facto de se viver um momento complicado no país, com uma tentativa de monopólio do PS, que se tem sentido em todos os campos e com particular incidência na cultura."

O pianista, com carreira internacional que soma mais de 50 anos, vai ainda às especificidades do candidato Moedas, que, na sua opinião, tem uma visão moderna sobre a vida na cidade, ao incorporar nas suas ideias a aposta na investigação, na ciência e na inovação.

"Só vejo uma pessoa a olhar para a cidade de Lisboa sem ficar presa ao trânsito da Almirante Reis", garante, e remete para a proposta de Moedas de uma cidade em 15 minutos - modelo que já está a ser adotado por várias metrópoles - e que implica a criação, em cada bairro, a par de infraestruturas básicas, de estruturas culturais, entre as quais museus, bibliotecas, orquestras e associações. Em projeto, ter tudo disponível num raio de um quarto de hora a pé ou de bicicleta. "Estou convencido de que se o eleitorado de Lisboa fosse todo da faixa dos 20 e tal anos, ganhava o candidato que tem uma visão de futuro e a capacidade de compreensão além do imediato", frisa Adriano Jordão.

Também Bruno Bobone entrou no conselho, porque entende que "há um espaço político que neste momento estava vazio e que é preciso ser ocupado por uma pessoa que tenha rigor, seriedade, compromisso e competência profissional". E que, afirma, "se foque na preocupação de trazer à cidade uma forma de vida digna", que se baseie na iniciativa privada como produtora de riqueza, mas seja capaz de a distribuir pelos cidadãos. "Acredito que o engenheiro Carlos Moedas será capaz de o fazer, porque tem preocupações de fazer obra e não de ser a imagem da obra feita, para tornar Lisboa atrativa para ter uma população estável , a que cá vive, e apenas uma fonte de entusiasmo para os que cá vêm", diz o empresário e presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. E recorda que na última década a capital perdeu cerca de 50 mil habitantes.

Bobone enumera os desafios que gostaria de ver Moedas concretizar caso seja eleito presidente do município: jardins bem tratados; formas de locomoção fáceis; promoção dos bairros dentro da cidade; capacidade de dar oportunidades, formação e educação em todas as zonas de Lisboa; teatros e equipamentos culturais em cada bairro; novos transportes públicos mais amigos do ambiente. E garante que as reuniões com o candidato têm acontecido e continuarão a acontecer no sentido de desenhar "um plano mais aprofundado das políticas da cidade".

Para Carlos Coelho, gestor e criador de marcas, participar neste grupo alargado de independentes que apoiam a candidatura de Moedas passa precisamente por tentar construir um programa que não seja fechado na política partidária. "Como cidadão lisboeta, entendo que posso ter um olhar diferente sobre a cidade", e afirma que é a primeira vez que assume publicamente apoio a um candidato.

Exaltando também a importância da aposta em cultura, ciência e inovação para dar uma reviravolta na vida da cidade, destaca os tais 15 minutos de acesso a tudo, que "farão a diferença". "Não é apenas conveniência, mas uma questão de criação de núcleos de qualidade de vida e de combate às mobilidades."

Coelho admite que tem visto Moedas adotar um discurso que "não é fácil de passar", porque os "populismos" acabam por ter mais sucesso ao "oferecer soluções mais fáceis". "O Carlos tem o desafio de conseguir passar a mensagem sem gritar" e "entra com grande avanço de credibilidade nas elites e pessoas mais informadas. O desafio é chegar às pessoas comuns".

De resto, insiste, a mudança é necessária, e nem se coloca numa trincheira contra o PS de Fernando Medina, que entende ter "uma forma pouco ambiciosa de olhar para Portugal e para a cidade". Não é "saudosismo", garante Carlos Coelho, é a tristeza de ver a história, a geografia e a cultura adormecidas. "Se se conseguir criar a dinâmica certa, teremos uma cidade e um país mais justos."

paulasa@dn.pt

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt