Premium Obama no Porto: duas horas e meia de "alto risco"

Secret services tiveram autorização especial para usar armas, drones vão vigiar todo o percurso e PSP mobilizou equipas treinadas por Israel para visita do ex-presidente dos EUA

A PSP destacou tudo o que tem de melhor, de equipas de elite a equipamento, para a operação de segurança que tem preparada para a deslocação ao Porto do ex-presidente norte-americano Barack Obama, que vem nesta sexta-feira participar na conferência Climate Change Leadership Porto Summit 2018, a realizar no Coliseu. De acordo com fonte que está envolvida neste planeamento, Obama estará apenas duas horas e meia na capital do Norte, mas serão 150 minutos classificados de alto risco.

A avaliação feita pelo departamento de informações da PSP classifica esta visita com um nível de risco "elevado", acompanhando a classificação também feita pelo Serviço de Informações de Segurança (SIS) que colocou a conferência num grau de ameaça "significativo" (o terceiro, numa escala de cinco). A sua intervenção está prevista para as 15.00 e deverá terminar às 16.00. Do Porto, Obama seguirá para Madrid, onde vai pernoitar.

"Evento de curta duração de elevada intensidade" é como a PSP, responsável por toda a operação, designa os 150 minutos que Barack Obama estará na Invicta para falar sobre alterações climáticas. Tal implica medidas especiais de segurança. Este foi um dos motivos porque a direção nacional decidiu autorizar que os elementos dos secret services, congénere do Corpo de Segurança Pessoal (CSP), responsáveis pela proteção de Obama, usem as suas armas em caso de necessidade. Trata-se de uma "autorização de exceção, pois só as polícias nacionais podem usar armas, tendo em conta o nível de risco", explicou a mesma fonte, adiantando que "há uma excelente relação entre o CSP e os secret services".

Todos os trajetos do anterior líder norte-americano vão ser alvo de vigilância aérea de drones. No terreno, além de todo o policiamento visível, vão estar agentes especiais das Equipas de Reação Tática Encoberta, um grupo de elite, armado, que recebeu treino de forças israelitas. Foram escolhidos entre os melhores do Grupo de Operações Especiais ou do CSP.

A sua ação é infiltrada e podem estar no papel de um cidadão comum, de um vendedor de rua, de um turista. Haverá equipas apeadas e outras em veículos e usam pistolas-metralhadoras. "Em caso de alerta estão preparados para agir em força de imediato e neutralizar a ameaça", explica fonte da PSP. "São especialistas em combate próximo e treinados para intervir em situações de elevada imprevisibilidade", acrescenta ainda.

O local da conferência será sujeito a uma atenção especial das unidade de deteção de explosivos, que se estendem também ao subsolo, e o Comando Metropolitano do Porto já informou que, pelo menos, duas ruas vão ser cortadas ou com o trânsito condicionado: a Passos Manuel (onde se localiza a sala de espetáculos Os Amigos do Coliseu), entre a Praça dos Poveiros e a Rua de Santa Catarina, estará encerrada da meia-noite às 20.00; e a Rua Formosa terá condicionamento de tráfego entre as 10.00 e as 17.00.

25 perguntas

Barack Obama é um dos quatro conferencistas do Climate Change Leadership Porto, um debate sobre alterações climáticas organizado pelo setor vinícola em colaboração com várias instituições e empresas. A intervenção do antigo presidente dos EUA está marcada para as 15.00 e vai partilhar o palco do Coliseu do Porto com o anterior orador, Juan Verde, perito em economia verde. Obama vai responder a cerca de 25 perguntas previamente selecionadas.

O auditório é composto em exclusivo por convidados. Por razões de segurança, as três mil pessoas não podem entrar com máquinas de filmar ou de fotografar nem computadores, mas é permitida a entrada com telemóveis. O 44.º presidente dos Estados Unidos não vai fazer declarações à imprensa.

Ainda não se sabe se o conteúdo dos discursos poderá ser partilhado com o público. Ao DN, fonte da organização assegurou que o pedido foi feito, mas que só amanhã se saberão as respostas. O evento começa de manhã com um prémio nobel e uma ex-diretora da UNESCO.

O cingalês Mohan Munasinghe partilhou o Nobel da Paz em 2007 com o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore e vai falar sobre as estratégias que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas defende. Já a búlgara Irina Bokova falará sobre a forma como as alterações climáticas estão a afetar o património cultural.

No final é instituído o Protocolo do Porto, um acordo em que as "empresas que ainda não começaram a lidar com este assunto comprometem-se a começar imediatamente com ações, não importando quão pequenas possam ser". E "aquelas que já estão mais avançadas nos seus programas de mudança climática comprometem-se a fazer mais", explica em comunicado a Fladgate Partnership, uma das empresas responsáveis pelo evento.

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