A república, a ética e a moral

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Ainda não é hora de baixar os braços. Muitos portugueses assinalam já a descida do número de infetados e de mortos por covid-19, em Portugal. Os casos baixaram do pico dos 15 mil para cerca de seis mil infetados por dia e as vidas perdidas já não são três centenas diárias, mas estão lá perto: 258. A estatística da pandemia continua a colocar-nos no patamar dos piores quando comparados com outros países do mundo. Ontem foi atingido um novo máximo nos cuidados intensivos: há 904 doentes nesses serviços de fim de linha. São dados oficiais e atualizados da Direção-Geral da Saúde que devem continuar a pôr-nos em sentido.

Estamos ainda muito longe de ganhar esta batalha, mais distantes ainda de vencer a guerra. O confinamento está para continuar até dia 14 de fevereiro e poderá mesmo estender-se por março. Relaxar seria o pior sintoma neste momento. Os cidadãos devem manter-se em casa e cumprir, sempre que possível, o teletrabalho. Este regime é obrigatório, mesmo que, quando olhamos para o nível de tráfego em certas estradas, nos pareça apenas facultativo.

Ao Serviço Nacional de Saúde continuam a chegar mais do dobro dos doentes que o SNS poderia suportar e uma parte dos que ali entram fica, em alguns casos, longas semanas - chegam a ser mais de cinco - nos cuidados intensivos. Não aliviar a pressão sobre os hospitais públicos é continuar sempre para além da linha vermelha, com custos para os doentes e opções éticas difíceis de tomar por parte dos médicos, quando confrontados com o dilema de quem salvar ou não salvar desta besta chamada covid.

Por falar em ética, numa república os princípios e as regras morais exigem redobrada transparência e o cumprimento das prioridades do plano de vacinação contra a covid-19. É esperado agora do militar Gouveia e Melo, novo coordenador da task force da vacinação, uma conduta exemplar neste processo. É conhecido como o submarinista "homem das missões impossíveis" e, muito provavelmente, tem hoje em mãos a missão da sua vida, com responsabilidades perante um país inteiro. Do jovem ao idoso, do pobre ao rico, todos sabem agora quem é e nele depositam fortes esperanças.

Falando ainda em ética, depois de passado o pico estrondoso da terceira vaga de covid-19 em Portugal, é tempo de voltar a agradecer a todos os profissionais de saúde. Sem recursos humanos nem físicos suficientes, fizeram os possíveis e os impossíveis para trabalhar num cenário de medicina de catástrofe. E vão continuar a fazer. Os portugueses confiam, acima de tudo, neles e na sua independência, ética e moral.

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