Premium O Natal do nosso descontentamento

A empregada da caixa debruça-se um pouco e diz-me baixinho:

- Já ouvi o White Christmas cem vezes hoje, não há nada pior do que o Natal...

Não são só as músicas, é também a publicidade histriónica, os especiais na TV, os enfeites comprados nos chineses, os pais natais deprimentes e os presépios de plástico nos centros comerciais...

Os quarenta minutos que passei no supermercado foram suficientes para lhe dar razão. A playlist de versões histéricas dos clássicos natalícios não dura mais que um quarto de hora, depois repete e repete e mais ainda. Um tormento para quem anda às compras, uma tortura para quem lá trabalha.

A pergunta põe-se todos os anos e vai sendo mais urgente: por que raio insistimos em destruir o Natal? Não são só as músicas, é também a publicidade histriónica, os especiais na TV, os enfeites comprados nos chineses, os pais natais deprimentes e os presépios de plástico nos centros comerciais... Chega, não há paciência. A única coisa que eu quero para o Natal é que acabe este Natal.

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Daniel Deusdado

Começar pelas portagens no centro nas cidades

É fácil falar a favor dos "pobres", difícil é mudar os nossos hábitos. Os cidadãos das grandes cidades têm na mão ferramentas simples para mudar este sistema, mas não as usam. Vejamos a seguinte conta: cada euro que um português coloca num transporte público vale por dois. Esse euro diminui o astronómico défice das empresas de transporte público. Esse mesmo euro fica em Portugal e não vai direto para a Arábia Saudita, Rússia ou outro produtor de petróleo - quase todos eles cleptodemocracias.