Premium "Normalidade? O que é? Penso nisso quando ouço a Francisca chamar-me papá"

Francisca não fala mas percebe o que lhe dizem. Tem 13 anos e perturbação de autismo. O pai conta como foi saber o resultado deste diagnóstico por um médico que não conhecia, na enfermaria do Hospital de São João: "Aquela criança de quatro meses nunca vai ser normal."

"Sabemos que um filho não é aquilo que sonhamos e que não podemos idealizar como um livro que colorimos com as nossas cores favoritas. Quando planeamos a vida com um filho não é uma esperança entrar com ele no hospital com algo que nos fere. A doença coloca a nu toda a nossa fragilidade e é a fragilidade que o mais profundo da nossa humanidade revela."

Quem o escreve é António Filipe Barbosa, um pai de 41 anos que um dia teve de entrar com a filha, de quatro meses, no Hospital São de João, no Porto, de urgência, para fazer uma série de exames. Foram 27 dias, muitas horas nas urgências sentado à espera enquanto a Francisca, hoje com 13 anos, fazia exames acompanhada pela mãe, Ângela. Muitas horas numa enfermaria com quatro camas e quatro cadeiras para cada um dos pais.

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