Uma nova era da liberdade

Abril é tempo de liberdade. De sair à rua, subir às chaimites - os dois momentos cruciais de Abril teriam como estrelas as chaimites de Salgueiro Maia, transformaram-se nos ícones da revolução portuguesa - e gritar: "Somos livres." Mas é também um tempo de cautela, serenidade e reinvenção. Começou ontem uma nova era de liberdade para os portugueses. Após dois confinamentos provocados pela guerra - ainda longe de estar ganha - da covid-19, os cidadãos saíram à rua para respirar, trabalhar, conviver e sentar-se numa esplanada. Gestos simples, mas dos quais têm sido privados.

Volto a escrever: esta guerra não está ganha e os comportamentos a que assistimos ontem devem deixar as autoridades em estado de vigília permanente. Esplanadas, praças e praias encheram-se de pessoas, sem máscara, ao mesmo tempo que era apurado um índice de transmissibilidade, o chamado R(t), de 1 no continente, sendo que a nível nacional este indicador se situa nos 0,98, ou seja, Portugal mantém-se na zona verde da matriz de risco, mas cada vez mais próximo da zona amarela. Além disso, há 26 concelhos com uma incidência superior a 120 novos casos de infeção por 100 mil habitantes, a 14 dias. Outro dado que dá que pensar: a variante da África do Sul está a crescer em Portugal e a britânica representa já 82,9% dos casos de covid-19, estando associada a uma maior facilidade de transmissão do vírus. Resumindo: é preciso desconfinar com calma, protegendo a economia, mas sem euforias.

Numa entrevista à edição de ontem do DN, Manuel Caldeira Cabral, ex-ministro da Economia, revelou otimismo em relação à capacidade de a economia portuguesa recuperar desta crise. "Se chegarmos ao verão com grande parte da população vacinada, teremos condições para ter um desconfinamento que permita uma recuperação mais forte do que a de 2020." Acredita que, tal como no verão passado, haverá uma melhoria da atividade económica e que "é fácil perceber que neste segundo trimestre pode haver um crescimento de 7% a 8%". Para que se confirme esta perspetiva é preciso não dar tiros nos pés, manter a prudência e não criar condições para um terceiro confinamento, como já está a ocorrer em certos países da Europa.

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