Juízes atribuem mais botões de pânico depois dos homicídios da avó e da neta do Seixal
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Juízes atribuem mais botões de pânico depois dos homicídios da avó e da neta do Seixal

Recurso a medida de proteção para vítimas de violência doméstica disparou depois do crime que chocou o país. Só no primeiro trimestre do ano foram atribuídos 504 aparelhos de teleassistência.

"Podemos salvar vidas!" A frase de José é curta em palavras mas gigante em verdades. As vozes que estão do outro lado da linha, muitas vezes a centenas e centenas de quilómetros do local onde as agressões estão a acontecer, podem ser cruciais para evitar a morte de vítimas de violência doméstica. Estes "salvadores" são os 12 operadores da Cruz Vermelha Portuguesa que, 24 horas por dia, sete dias por semana, atendem as vítimas a quem os tribunais atribuíram o dispositivo de segurança - um botão de pânico que pode ser acionado a qualquer momento em que a mulher se sinta em risco, perseguida ou abordada pelo agressor.

Naquela noite, José estava no turno das 23 às sete da manhã e pouco antes da meia-noite o alarme disparou. Alguém tinha acionado o mecanismo de teleassistência. Não era uma mulher que pedia ajuda, mas um dos filhos, escondido no quarto com o irmão, enquanto na sala a mãe tinha uma pistola apontada à cabeça. Nestas situações é preciso sangue-frio. O operador ligou para as autoridades policiais, manteve a criança em linha, mas era preciso acautelar que as polícias não entravam de rompante na casa e isso ter o efeito que se queria evitar. Improvisou. Perguntou ao rapaz se havia alguém lá fora que pudesse ajudar, um amigo que orientasse a polícia sobre a melhor forma de entrar em casa. Várias conversas cruzadas, durante uma hora ou mais, salvaram a vida daquela mulher.

Os magistrados aplicam cada vez mais esta medida de proteção para vítimas de violência doméstica. O primeiro trimestre deste ano - que já soma 13 vítimas mortais (12 mulheres e uma criança) - foi prova disso: do início de janeiro ao final de março foram atribuídos 504 aparelhos de teleassistência, enquanto no ano passado a média era de 357 por trimestre, num total de 1429 anuais. Atualmente, há 2250 pessoas com teleassistência.

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