Premium Parlamento ganha primeiro round a Boris. Cem mil britânicos registam-se para votar em apenas 48 horas

Câmara dos Comuns não apoiou a moção do primeiro-ministro para convocar eleições antecipadas a 15 de outubro mas aprovou, com a ajuda de conservadores rebeldes, uma proposta de lei para travar um No Deal Brexit a 31 de outubro e, em última análise, pedir um novo adiamento de saída da UE até 31 de janeiro de 2020.

Oito anos antes do referendo de 23 de junho de 2016 sobre o Brexit, Nick Clegg, então líder dos liberais-democratas britânicos, assinou um artigo no jornal The Guardian intitulado "Ask the under-50s", ou seja, "Façam a pergunta a quem tem menos de 50 anos". Clegg, que mais tarde viria a ser vice-primeiro-ministro de David Cameron, argumentava que mais dia menos dia a relação entre o Reino Unido e a UE teria de ser submetida a um referendo. E que as pessoas com menos de 50 anos iriam confirmar que os britânicos querem permanecer no clube europeu, a que aderiram em 1973. Problema: no referendo de 2016 ganhou o Brexit por 52% contra 48%. O Leave - sair da UE - foi sobretudo apoiado pelos eleitores com 65 anos ou mais e o Remain - ficar na UE - pelos que tinham entre 18 e 24 anos.

Agora, face à ameaça de eleições antecipadas no Reino Unido, as quais poderiam ser transformadas numa espécie de segundo referendo sobre o Brexit, está a haver uma corrida ao recenseamento. E sobretudo nas faixas etárias até aos 34 anos, reporta o The Guardian, com base em dados oficiais do governo. Entre segunda e terça-feira, mais de cem mil britânicos recensearam-se para votar em eleições. Segundo o mesmo diário, o número é muito superior ao normal de registos em dias de semana. A média, em agosto, foi de 27 mil registos por dia. Nesta segunda-feira, houve 52 408 e na terça-feira 64 485.

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Pedro Lains

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Viriato Soromenho Marques

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