EasyJet quer pilotos com regime fiscal mais favorável

Companhia aérea admite que tem dificuldades em contratar pilotos para Portugal devido à pesada carga fiscal.

A easyJet, companhia aérea low-cost, tem processos de recrutamento sempre abertos para comandantes e copilotos para as bases de Lisboa e Porto, devido à "muita dificuldade" que a transportadora sente em preencher as vagas. José Lopes, diretor da empresa para Portugal, aponta a "falta de competitividade fiscal" como grande entrave à captação destes profissionais. Segundo diz, "o mesmo salário bruto em Portugal e em Espanha corresponde a um salário líquido superior a 30%" no país vizinho.

Para o responsável, "é fundamental que o governo inclua a posição de piloto na lista de profissões de alto valor acrescentado, que podem beneficiar do regime de residente não habitual". Este enquadramento, criado há dez anos para atrair profissionais qualificados em atividades de elevado potencial e também pensionistas de outros países, permite pagar menos Imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS). Estes trabalhadores ficam sujeitos a uma taxa fixa de IRS de 20% sobre o rendimento obtido em Portugal e não são alvo de dupla tributação, caso recebam pensões ou rendimentos de trabalho auferidos no estrangeiro.

Salário competitivo

Para colmatar a falta de comandantes, a easyJet tem trazido profissionais de outras bases para fazer temporadas de quatro ou cinco meses em Portugal. Esta não é uma solução "ideal", diz José Lopes, já que "não nos permite ter uma maior estabilidade de quadros nas bases de Lisboa e Porto". O diretor da companhia não vê a questão salarial como um problema, até porque os colaboradores da easyJet têm "um salário-base competitivo e recebem variáveis retributivas em função dos voos operados", além de "uma vertente de lifestyle que permite uma conjugação muito equilibrada entre a vida familiar e profissional". E sublinha que quando "entram, dificilmente pensam em sair".

Já a TAP prevê recrutar neste ano cerca de 500 pessoas para várias funções, depois de em 2018 ter contratado mais de 1200, entre pilotos, tripulantes de cabina, responsáveis da rotação dos aviões e outros profissionais para operações em "terra". Segundo fonte oficial da transportadora portuguesa, têm sido realizadas "sessões de recrutamento todos os dias deste ano, incluindo fins de semana". A TAP adianta que "as vagas estão a ser totalmente preenchidas", havendo dificuldade em contratar técnicos de manutenção de aeronaves e profissionais de contact center.

Para responder a este crescimento da indústria aeronáutica, a TAP, em conjunto com várias empresas do setor e com a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional, submeteu para aprovação um referencial de formação de técnicos para que as escolas técnico-profissionais possam dar cursos a partir do 10º.° ano orientados para as necessidades da atividade.

Poucos cérebros, muitos pensionistas

O regime dos residentes não habituais não tem conseguido atingir os objetivos de atração de "cérebros" para o país. Segundo os últimos dados conhecidos, há 27 367 pessoas a beneficiar deste estatuto, mas o grande volume (25 226) não tem atividade de elevado valor acrescentado. Ou seja, são reformados e pessoas com registo de rendimentos de juros, dividendos ou mais-valias.

sonia.s.pereira@dinheirovivo.pt

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