Ainda falta repor 2% dos rendimentos das famílias portuguesas

Os rendimentos em Portugal mantêm-se ainda abaixo dos níveis de 2008, apesar de uma recuperação acima dos 3% no conjunto da UE.

A recuperação de rendimentos pelas famílias portuguesas ainda tarda. Na média do euro, foram preciso nove anos para voltar à tona, e no conjunto da UE, com a recuperação a acontecer dois anos mais cedo, as famílias já contam com mais 3,5% de rendimento do que antes da crise. Portugal, porém, ainda não passou o limiar da recuperação. O rendimento disponível das famílias fica ainda 2% abaixo do que era antes.

A reposição total de rendimentos pós-crise está ainda por fazer em oito países da União, refere a Comissão Europeia no último relatório anual sobre o emprego e a situação social. Os dados comparados são de 2017, com Bruxelas a reportar uma subida média de rendimentos de 3,5% na média dos 28, e já da ordem dos 5% em 2018.

Além de Portugal, Grécia, Chipre, Itália, Espanha, Áustria, Bélgica e Irlanda são os países onde ainda não foi possível voltar à estaca zero. As perdas são superiores a 30% na economia de Atenas, ao contrário de outros países que têm superado largamente a crise. A Leste, na Bulgária, na Roménia e na Polónia, as famílias conseguem hoje, em termos reais, ganhos acima de 20% do que tinham em 2008.

O relatório de Bruxelas mapeia os indicadores sociais para um momento em que a UE apresenta níveis recorde de emprego, com mais 13,7 milhões de postos de trabalho do que em 2014, e em que recuam os indicadores de desigualdade. Entre os mais pobres do bloco, os rendimentos crescem agora 4%, e as taxas de risco de pobreza estão a regredir de forma acentuada - e também em Portugal.

O emprego tem sido o grande motor da recuperação, com os valores de apoios sociais a diminuírem e a serem canalizados já não para prestações como o subsídio de desemprego, mas antes para favorecerem as pensões. "O rendimento do trabalho tanto para trabalhadores por conta de outrem como independentes retomou o crescimento em 2014, principalmente devido à recuperação do mercado de trabalho", indica a Comissão Europeia.

Mas é nos países do Leste Europeu que se desenha uma nova ordem na distribuição de rendimento da UE, apontando a uma ligeira convergência. O relatório afirma que países como a Letónia veem crescer as suas classes médias, enquanto no norte da Europa estas encolhem em países como a Dinamarca.

Em qualquer dos países da UE, a classe de rendimentos médios representa hoje mais de metade da população. Ainda assim, Portugal tem uma das classes médias mais pequenas, apenas 56% da população, mantendo 18% na pobreza e 15% de remediados. Os ricos são hoje 10%.

A mediana de rendimentos portuguesa é, entre aquelas que sofreram uma evolução positiva após a crise, a que regista o mais baixo crescimento - quase residual. A mediana portuguesa de rendimentos estava, nos dados da Comissão, em 8875 euros anuais em 2017 - ou 634 euros mensais.

Portugal é também um dos países onde o grupo da classe média mais manifesta dificuldades financeiras. São mais de 70% os que assumem insegurança na capacidade de fazer face às despesas, contra uma média de 53% na União Europeia.

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