EUA em alerta para retaliação do Irão. Risco elevado de ataques cibernéticos

Donald Trump garante que tem 52 alvos no Irão que serão bombardeados se houver qualquer ataque aos EUA.

O presidente Donald Trump avisou, através da sua conta de Twitter, que existem 52 locais iranianos que estão sob mira caso o Irão decida atacar os Estados Unidos. Se essa retaliação acontecer, esses alvos serão atacados "muito depressa e com muita violência", diz Trump. "Os EUA não querem mais ameaças!"

Estas palavras de Donald Trump surgem depois de presidente iraniano Hassan Rouhani ter afirmado que os Estados Unidos cometeram um "grave erro" ao matar Soleimani e que os americanos "enfrentarão as consequências desse ato criminoso não apenas hoje, mas também nos próximos anos"

Trump confirma assim aquilo que já se sabia: os Estados Unidos estão a preparar-se para algum tipo de retaliação por parte do Irão pela morte de Qassem Soleiman, o comandante da força de elite dos Guardiães da Revolução iranianos, Al-Qods, na sexta-feira, num ataque dos EUA com um drone [aparelho aéreo não tripulado], em Bagdad, juntamente com o número dois da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque (Hachd al-Chaab e Abu Mehdi al-Muhandis) e outras oito pessoas.

O presidente do Estado-Maior Conjunto Mark Milley abordou publicamente a questão de uma possível retaliação do Irão na sexta-feira. Quando questionado se existe agora um risco para a segurança dos EUA na região, Milley disse sem rodeios: "Claro que existe um risco".

O Departamento de Segurança Interna (Department of Homeland Security, DHS) avisou os governos estaduais e vários empresários sobre a potencial ameaça cibernética iraniana. De acordo com a CNN, que cita como fonte um alto funcionário do DHS, ao final da tarde de sexta-feira realizou-se uma videoconferência, organizada pelo DHS, que incluiu funcionários do governo local e das principais cidades, além de representantes de empresas de áreas críticas como infraestruturas, telecomunicações e banca, na qual todos foram alertados para a possibilidade de haver ataques informáticos realizados pelo Irão como retaliação pela morte de Qassem Soleimani.

O governo de Trump alertou também os membros do Congresso que o Irão deve retaliar os EUA "dentro de semanas". Responsáveis da Segurança Interna, Departamento de Estado, Pentágono e agências de informação fizeram eco dessa preocupação durante os briefings classificados na sexta-feira, deixando claro que não se trata de se o Irão responderá, mas quando, onde e como, segundo uma fonte interna disse à CNN. Nesses briefings, as autoridades foram francas ao descrever uma série de possibilidades de retaliação nos EUA e no exterior.

Americanos devem estar de sobreaviso

Também este sábado, o Departamento de Segurança Interna emitiu um boletim do Sistema Nacional de Aconselhamento contra o Terrorismo (NTAS), alertando que, apesar de neste momento não dispor de informações que "indiquem uma ameaça específica e credível à pátria", é verdade que "o Irão e seus parceiros, como o Hizballah, demonstraram a intenção e capacidade de conduzir operações nos Estados Unidos" e que é provável que levem a efeito algum tipo de ataque "contra infraestruturas críticas dos Estados Unidos".

O Departamento de Segurança Interna está "a monitorizar a situação e a preparar-se ativamente para qualquer ameaça específica e credível, se surgir", disse Chad F. Wolf. "Estamos em constante comunicação com o Congresso e outros parceiros. O povo americano deve ter certeza de que todo o departamento está a trabalhar para mantê-los seguros."

O boletim avisa ainda os americanos para se manterem atentos. "Extremistas violentos locais poderão usar este aumento das tensões para lançar ataques individuais", diz. "Um ataque na pátria pode vir sem aviso".

Embaixada dos EUA em Portugal também está em alerta

A embaixada dos Estados Unidos em Lisboa emitiu este sábado um alerta de segurança aos cidadãos norte-americanos em Portugal por causa do aumento da tensão no Médio Oriente.

No alerta, difundido online, a missão diplomática dos Estados Unidos na capital portuguesa assinala que o "aumento de tensão no Médio Oriente pode resultar e riscos de segurança acrescidos para os cidadãos norte-americanos no estrangeiro" e aconselha os norte-americanos em Portugal a manterem uma postura discreta, redobrarem a atenção em locais frequentados por turistas, reverem os planos pessoais de segurança e a manterem os documentos de viagem atualizados e acessíveis.

A Embaixada adianta que continuará a acompanhar a situação de segurança e fornecerá informações adicionais se tal se revelar necessário.

Este sábado, milhares de pessoas saíram à rua, nos Estados Unidos para protestar contra o ataque americano e contra a escalada de violência contra o Irão e o Iraque. Segundo o The New Yorque Times, houve manifestações em Washington, San Francisco, Chicago, Nova Iorque e noutras cidades, num total de cerca de 80 protestos em todo o país.

Com Lusa

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