Loucura de fim de Verão

A ameaça do fim do verão pode levar às maiores loucuras, e foi assim que neste fim de semana dei por mim a praticar o brunch num café do Intendente na companhia de alguns amigos. A rapariga que nos serviu era bonita, mas de parcas palavras, até que a minha amiga Vera resolveu perguntar-lhe se podia trazer torradas com mel. A moça arregalou os olhos e gemeu um ponto de interrogação.

- Uma torrada com mel, é possível?

Espanto, confusão, desespero, tudo em rápida sucessão nos olhos da rapariga.

- I'm sorry, work here three days, no portuguese, ok? Only what is on the menu!

E virou-nos as costas como se a tivéssemos insultado.

A Vera ficou sem as torradas, a moça ficou sem jeito e nós ficámos sem vontade de lá voltar.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.