Exclusivo E se procurássemos entender o governo minoritário?

Um governo minoritário que dura há três anos e durará mais um é uma excepção em Portugal e na Europa. As raízes de tal grau de estabilidade política nunca poderemos verdadeiramente conhecer, mas podemos tentar, e não nos limitarmos a usar a imaginação para lhe encontrar nomes. Vejamos então.

Em primeiro lugar, está o bom começo, que se deveu em grande medida a factores externos. O governo de aliança entre o PSD, o CDS e os princípios da troika de instituições financeiras que concederam o empréstimo internacional ao país não foi apenas inepto ao tratar das finanças sem se preocupar com a economia. Foi também pouco hábil quanto à política, tornado mais fácil unir as forças da oposição. Cavaco Silva, o Presidente da República desse início de mandato, também deu uma grande ajuda ao nomear um governo do seu partido, à partida derrotado no Parlamento.
A seguir, veio a inteligência de responder directamente à questão de se saber qual era a alternativa política. A pergunta era falsa mas, em vez de a evitar, foi-lhe dada uma resposta. E essa resposta envolveu a escolha de um futuro ministro das Finanças vindo da instituição que melhor acolheu a troika em território nacional, o Banco de Portugal, mostrando que o unanimismo entre economistas "clássicos" era também falso, coisa que aliás sempre esteve à vista de todos.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG