Premium A demagogia derrota-se com coragem

Neste mês de eleições europeias, estaremos condenados à subida dos partidos nacionalistas? Ainda haverá tempo para derrotar a demagogia? Mas se não faltam argumentos à luta antipopulista, também é preciso fazer uma autoavaliação do lado de cá.

Atrês semanas das eleições para o Parlamento Europeu continuamos, um pouco por todos os Estado membros, a discutir tudo menos a Europa. Os entendidos dirão que "toda a política é local". Os iluminados acrescentarão que "as pessoas não querem saber disso". E os espertalhões farão campanha com a visão de caserna do costume: vale tudo para conter danos partidários e obter umas conquistas de curto prazo. Além de frustrante, é cansativo.

Como ficou provado pelas grandes crises europeias que marcaram os últimos cinco anos de legislatura do Parlamento Europeu (financeira, económica, migratória, coesão, nacionalista), talvez nunca como hoje fomos tão interdependentes na União. Todos esses problemas e respetivas gestões políticas expuseram a necessidade imperiosa de uma concertação mais sofisticada entre Estados membros e entre estes e as instituições comunitárias. O que falhou, e muito falhou, foi exatamente a não existência de mecanismos de ação rápida ao nível europeu, capazes de conter, gerir e corrigir falhas nacionais mais ou menos expostas por fatores de pressão externa.
Um dos problemas da União Europeia é que quem a lidera nem sequer a sabe defender. A tecnocracia das respostas oficiais, o cinzentismo da maioria dos porta-vozes e a falta de carisma de uma imensa geração de cabeças-de-cartaz são bónus para qualquer político em ascensão nacional com as cordas vocais afinadas contra "o sistema". Não é possível fazer vingar os lados positivos da integração europeia sem soldados prontos para o combate argumentativo, pondo imediatamente cobro ao chorrilho de mentiras que saltam da trincheira populista, desarmando o basismo das suas ideias e motivando novas gerações a baterem-se pelos valores da liberdade que dizem não querer abdicar. Há, portanto, uma autoavaliação a fazer sobre a cultura política que tem caracterizado a defesa da UE neste último ciclo político. Só a partir daqui é possível enfrentar o que começa a 27 de maio.

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Betinho

"NBA? Havia campos que tinham baldes para os jogadores vomitarem"

Nasceu em Cabo Verde (a 2 de maio de 1985), país que deixou aos 16 anos para jogar basquetebol no Barreirense. O talento levou-o até bem perto da NBA, mas foi em Espanha, Andorra e Itália que fez carreira antes de regressar ao Benfica para "festejar no fim". Internacional português desde os Sub-20, disse adeus há seleção há apenas uns meses, para se concentrar na carreira. Tem 34 anos e quer jogar mais três ou quatro ao mais alto nível.