Premium Nobel de Saramago: comemorações tardam mas parece que não falham

O editor de José Saramago acha que os 20 anos do Nobel da Literatura estão a ser mal comemorados. O Ministério da Cultura não pensa o mesmo, nem a APEL. Entretanto, os leitores vão poder ler um inédito, o 6º Caderno de Lanzarote.

A polémica em torno da ausência de comemorações oficiais e significativas nos 20 anos sobre o anúncio do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago está a subir de tom desde que ontem, durante a revelação do inédito do escritor a ser publicado a 8 de outubro - data em que se soube da decisão da Academia Sueca - o atual editor da obra, Manuel Alberto Valente, questionou as autoridades oficiais portuguesas para o descaso que considera estar a verificar-se.

Para Valente em causa está principalmente o Ministério da Cultura, contrapondo que "ironicamente estamos num ano em que não vai haver Nobel e é a melhor razão para se comemorar José Saramago". Acrescentou: "Não tenho conhecimento de que esteja preparada uma celebração nacional... Pode ser que sim, mas a existir está em segredo."

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Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

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Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.