Premium Evitar a ruína

No passado domingo, a 7.ª maior economia do mundo caiu nas mãos de um populista. Jair Bolsonaro juntou o seu país ao grupo em que já estão as duas maiores economias mundiais, China e EUA, a 6.ª, Rússia, e da 11.ª à 13.ª, Itália, México e Turquia. Em todos estes Estados dominam líderes messiânicos que prometem prosperidade fácil, substituindo a corrupta classe política. Este clube, com quase metade (44%) do produto global, apesar de esmagador, constitui apenas parte da ameaça extremista actual, que se sente em toda a Europa, América Latina e outras zonas do globo.

A conclusão inescapável é que está em risco aquela ordem social, nacional e internacional de abertura, cooperação e respeito que, apesar de todos os defeitos, manteve nos últimos 70 anos um grau de paz e prosperidade incomparável com qualquer outra era do planeta. É contra essa ordem que explicitamente os extremistas se insurgem; é contra essa ordem que os eleitores votam. A história repete-se: também há cem anos os povos se insurgiam contra o regime e a ordem mundial da belle époque, que tinham gerado o maior período de paz e prosperidade que o mundo conhecera até então. Com 44% do mundo, o surto actual de populismo é talvez menos virulento, mas mais vasto do que nos anos 1930.

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Daniel Deusdado

"Petróleo, não!" Nesta semana já estivemos perto

1. Uma coisa é termos uma vaga ideia de quão estupidamente dependemos dos combustíveis fósseis. Outra, vivê-la em concreto. Obrigado aos grevistas. A memória perdida sobre o "petróleo" voltou. Ficou a nu que temos de fugir dos senhores feudais do Médio Oriente, das oligopolísticas, campanhas energéticas com preços afinados ao milésimo de euro e, finalmente, deste tipo de sindicatos e associações patronais com um poder absolutamente desproporcionado.