Premium De risco em risco


A animada coreografia dos debates na Câmara dos Comuns não esconde a ambiguidade do seu conteúdo, reforçando a desconfiança em Bruxelas para qualquer gesto de flexibilidade. No meio disto está a Irlanda e a paz na ilha. E um conjunto de indefinições na véspera das eleições europeias. Cada semana que passa traz menos clareza ao incrível processo do Brexit.

debate nos Comuns foi o espelho perfeito dos tempos políticos britânicos. Jeremy Corbyn, depois de derrotada a moção de censura apresentada há 15 dias, resolveu encabeçar uma emenda, novamente derrotada, que previa mais tempo para negociar uma relação com a UE estruturada numa união aduaneira. É difícil olhar para isto sem ter pena do estado a que chegou o Labour: autoderrotado, sem um fio condutor percetível, delapidando um imprescindível estatuto alternativo aos insucessos de Theresa May. Já a primeira-ministra conseguiu, à custa da reabertura da sensível questão irlandesa, forjar uma conjuntural frente conservadora que lhe dá outra legitimidade para regressar a Bruxelas com uma ou outra exigência. Qual? Ninguém sabe. Nem a emenda aprovada sobre o backstop era clara nem o governo conseguiu articular uma ideia sobre os mecanismos alternativos pelos quais se bateu. No limite, a único ponto que conseguiu foi reabrir a desproteção política e jurídica às Irlandas, tratando de forma instrumental, para benefício tático do partido conservador, uma matéria de enorme relevância política, constitucional e securitária.

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Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

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Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.