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Palavras. Leva-as o vento mas podem ser sólidas, substantivas e marcar forte. Um dia, no começo de um qualquer governo socialista, António Vitorino disse: "Habituem-se." Curto, uma só palavra apesar de composta, mas marcou. É verdade que é lembrada só por ser uma boutade de um homem político de quem se esperava muito, quando seria bem melhor que fosse lembrada porque aquele elenco governativo era ainda hoje soletrado com fervor como uma equipa de sonho - Coluna, Simões, Eusébio e José Augusto... - o que não tenho a certeza que tenha sido o caso.

Palavras. Podem ser poderosas. Por boas e más razões, e são-no, até, importantes ou não segundo quem as diz (ou quem as ouve). Lembro-me de um homem fundamental da Cultura moderna portuguesa - porque faz frases tão, tão inteligentes, Herman José, pois - ter um dia dito que quase nunca lia livros. E disse-o para um país que lê pouco! Mau exemplo, claro. Mas que importa que ele o tenha dito e o infeliz exemplo que tenha transmitido? Apeteceu-lhe dizer, disse, e bem - as pessoas não podem viver atadas no que querem dizer. O inalienável direito de falar deve ser mesmo direito e inalienável. Quanto mais para o Herman, que em contrapartida nos cria frases desatadas e tão, tão inteligentes.

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