Razoni, sinal de esperança ou manobra de Putin?

Um sinal positivo de Putin ou simplesmente um atirar de areia para os olhos? O primeiro navio carregado de cereais partiu de Odessa, na Ucrânia, após o desbloqueio dos portos pelas forças russas. Razoni, o nome do cargueiro que enverga a bandeira da Serra Leoa, seguiu com 26 mil toneladas de milho com destino ao Líbano. Desde a invasão russa, a 24 de fevereiro, esta foi a primeira embarcação a conseguir sair dali transportando alimentos. Há meses que os portos e todo o corredor marítimo estão bloqueados. A negociação que permitiu ao Razoni sair de Odessa foi intensa e longa, envolveu os governos de Kiev e Moscovo e contou com a mediação da Turquia e da Organização das Nações Unidas (ONU).

António Guterres, secretário-geral da ONU, o português a quem Putin parecia não dar ouvidos, junta mais uma vitória ao seu atual mandato: aliviar a crise alimentar provocada pela guerra em diversas geografias, mas sobretudo em África e na Ásia, as duas regiões que historicamente estão mais dependentes do mercado de cereais ucraniano.

Depois do Razoni, outros navios virão, acreditam os mediadores internacionais. Em declarações à comunicação social, o líder da ONU sublinhou que este será o primeiro de muitos navios prontos a sair dos portos ucranianos do mar Negro e que deverão ajudar a estabilizar os mercados globais de alimentos. Ontem, o secretário-geral anunciou que o Programa Alimentar Mundial (PAM) vai fretar um navio para transportar 30 mil toneladas de trigo ucraniano, que pretende adquirir para responder à crise alimentar. Os detalhes da operação delicada só serão conhecidos nos próximos dias e, tal como São Tomé, precisamos de "ver para crer".

No Twitter, o ministro de Zelensky que tem a cargo a pasta das infraestruturas, Oleksandr Kubrakov, escreveu: "Saiu do porto o primeiro navio desde a agressão russa. Graças ao apoio de todos os nossos parceiros e da ONU, conseguimos implementar o acordo assinado em Istambul. É importante para nós garantir a segurança alimentar do mundo." Resta saber o que Ancara exigiu em troca e ainda se este será um sinal positivo de mudança na estratégia militar de Putin ou apenas uma pequena aberta entre tiros, minas e armadilhas.

Diretora do Diário de Notícias

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG