Premium Arrendar a própria casa no verão. Gerir emoções num negócio para equilibrar as finanças

É em agosto que o "negócio" dispara, essencialmente nas praias. Há quem abdique da sua própria casa durante um verão inteiro para equilibrar as finanças. Muitos ainda o fazem ilegalmente, num mercado que está tão em crise como o restante.

Há três anos consecutivos que Lídia Silva começa os preparativos do verão com semanas de antecedência. Passa dias a embalar objetos pessoais, roupas e todos os pertences, de forma a ficar quase só com os móveis a moradia que construiu, há 21 anos, no Outeiro do Louriçal, entre Pombal e Figueira da Foz. É assim desde que decidiu arrendar a própria casa, como forma de equilibrar as finanças, depois do divórcio. "A minha filha tinha entrado na universidade e tornava-se cada vez mais difícil fazer face às despesas", conta ao DN, no último dia de julho, quando a vivenda está ocupada por um casal francês.

Lídia aceita falar ao DN sem reservas porque tem "tudo legal", ou seja, transformou a própria casa num alojamento local, o que não acontece com todas as pessoas que arrendam a própria casa. Ou melhor, a maioria dos que o fazem - sobretudo nas praias da região centro - é de forma ilegal. Não há recibos nem pagamento de impostos. Foi através de uma amiga nessa condição que Lídia soube da procura - sobretudo por parte de famílias estrangeiras - mas não quis arriscar. Durante o dia é funcionária administrativa numa junta de freguesia, no tempo que lhe sobra ainda trabalha como angariadora imobiliária. Num quadro de baixos salários como o que vigora em Portugal, este acaba por ser mais um emprego. Nos meses de junho, julho e agosto muda-se para casa do pai, do outro lado da rua. Está sempre por perto "para alguma coisa que os hóspedes precisem".

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