Premium Em forma de assim

A montra confunde: brinquedos de plástico antigos e desbotados, uma cana de pesca, postais ilustrados, produtos para limpar móveis e dar brilho às pratas, biquínis modernos, pratinhos de louça, uma tábua de passar a ferro, um puzzle com a imagem da Riviera francesa. Mais do que uma loja parece um gabinete de curiosidades, um desafio ao esforço de catalogação que faz lembrar a enciclopédia chinesa citada por Jorge Luis Borges, onde os animais se dividem em 14 categorias: (a) pertencentes ao imperador (b) embalsamados (c) amestrados (d) leitões, etc.

Apetece-me entrar mas não entro, de resto não tem porta própria e é preciso pedir à modista do lado para nos deixar entrar. É um mistério, um desarranjo comercial, é um poema em forma de montra.

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Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...