Premium A maldição da reforma

A nossa sociedade criou vários conceitos e modelos sociais originais. Um dos mais nocivos é a noção de reformado. Todos estamos tão familiarizados com a ideia que nos parece normal e recomendável, sem questionarmos o vício que encerra.

Em primeiro lugar, ser reformado é uma forma de discriminação, pois lida, não com estados, mas condições. Não se trata de um regime para pessoas que não podem trabalhar, mas para aquelas que atingem certa idade, independentemente da sua situação física e psicológica. Assim, constitui uma forma de "racismo etário": quem ultrapasse certa longevidade é obrigado a passar à situação de reformado. A razão por que toleramos tal modelo é por parecer uma discriminação positiva: o reformado é alegadamente beneficiado pela pensão (aliás, tem mesmo oficialmente o nome de "beneficiário"). Esta é a ilusão que distorce a lógica. Os idosos são tratados como obsoletos e ociosos, mas isso é suposto ser vantagem.

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Líderes europeus

As divisões da Europa 30 anos após o fim da Cortina de Ferro

Angela Merkel reuniu-se com Viktor Orbán, Emmanuel Macron com Vladimir Putin. Nos próximos dias, um e outro receberão Boris Johnson. E Matteo Salvini tenta assalto ao poder, enquanto alimenta a crise do navio da ONG Open Arms, com 107 migrantes a bordo, com a Espanha de Pedro Sánchez. No meio disto tudo prepara-se a cimeira do G7 em Biarritz. E assinala-se os 30 anos do princípio do fim da Cortina de Ferro.