Premium A maldição da reforma

A nossa sociedade criou vários conceitos e modelos sociais originais. Um dos mais nocivos é a noção de reformado. Todos estamos tão familiarizados com a ideia que nos parece normal e recomendável, sem questionarmos o vício que encerra.

Em primeiro lugar, ser reformado é uma forma de discriminação, pois lida, não com estados, mas condições. Não se trata de um regime para pessoas que não podem trabalhar, mas para aquelas que atingem certa idade, independentemente da sua situação física e psicológica. Assim, constitui uma forma de "racismo etário": quem ultrapasse certa longevidade é obrigado a passar à situação de reformado. A razão por que toleramos tal modelo é por parecer uma discriminação positiva: o reformado é alegadamente beneficiado pela pensão (aliás, tem mesmo oficialmente o nome de "beneficiário"). Esta é a ilusão que distorce a lógica. Os idosos são tratados como obsoletos e ociosos, mas isso é suposto ser vantagem.

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Legionela

Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.