O 17 Ultra tem o conjunto de câmaras montado em anel, como já vem sendo habitual.
O 17 Ultra tem o conjunto de câmaras montado em anel, como já vem sendo habitual.Xiaomi

Xiaomi e Leica estreiam lentes com capacidades inéditas no mundo dos smartphones

Impulsionada por um crescimento de 40% no segmento 'premium', a chinesa Xiaomi aposta na simbiose estratégica com a alemã Leica e antecipa liderança de vendas do modelo Ultra em Portugal.
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A Xiaomi revelou este sábado, 28 de fevereiro, a sua nova geração de smartphones topos de gama: a Xiaomi 17 Series. O lançamento marca o auge de uma parceria com a Leica que evoluiu da Inovação & Desenvolvimento (I&D) para um Modelo Estratégico de Cocriação que leva a uma integração transversal em todo o processo de desenvolvimento dos aparelhos, resultando em dispositivos que desafiam as fronteiras entre a fotografia móvel e as câmaras profissionais.

Daí o Xiaomi 17 Ultra, o topo de gama da série, trazer inovações fotográficas inéditas no mundo dos smartphones. O dispositivo introduz as novas lentes Summilux do segmento APO (Apocromáticas), uma tecnologia que utiliza vidros de dispersão extrabaixa para corrigir aberrações cromáticas de forma muito mais eficaz do que as lentes convencionais.

Tiago Flores, country manager da Xiaomi em Portugal, destaca a relevância desta inovação: "Estamos a trazer mais vidro e uma composição ótica muito mais complexa para dentro de um smartphone, elevando a fidelidade da imagem a um nível que anteriormente era impensável neste formato."

No conjunto de lentes inclui-se também, e talvez ainda mais notório, uma teleobjetiva de distância focal variável. Ao contrário do zoom digital, que sacrifica a resolução através de algoritmos, o Xiaomi 17 Ultra vem equipado com um sistema que recorre a um dispositivo com movimento físico real das lentes dentro do corpo do equipamento. "Conseguimos fazer um zoom ótico real, físico, com as lentes a deslocarem-se internamente entre os 75mm e os 100mm", explica o responsável.

Com um alcance que atinge o equivalente a 400mm (17,2x), o utilizador pode, assim, beneficiar de uma nitidez que apenas o zoom ótico permite. "É como ter uma lente profissional acoplada ao telemóvel. Não se perde qualidade ao aproximar-se do objeto", acrescenta Flores.

No sensor principal, a Xiaomi estreia o Light Fusion 1050L de uma polegada, equipado com tecnologia LOFIC. Este sistema de condensadores de última geração aumenta a capacidade de full well (FWC), permitindo que o sensor processe uma quantidade de luz significativamente maior sem saturar as zonas mais brilhantes. O resultado é um desempenho HDR de referência, com uma gama dinâmica que preserva detalhes minuciosos, tanto em sombras profundas, como em céus muito iluminados.

A ascensão do segmento de luxo

A estratégia da Xiaomi para 2026 é clara: consolidar-se como uma marca de referência no segmento premium. Segundo Tiago Flores, este grupo de produtos (que inclui as séries principais e a T-Series) registou um crescimento de 40% em 2025 face ao ano anterior. Num mercado de smartphones que apresenta sinais de maturidade e estagnação, o segmento premium é o único que continua a atrair novos adeptos dispostos a investir no "upgrade" tecnológico.

O 17 Ultra tem o conjunto de câmaras montado em anel, como já vem sendo habitual.
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Segundo o responsável, em 2025, o rácio de vendas entre o modelo base e o modelo Ultra "foi de aproximadamente 50/50". Para esta série 17, a marca antevê uma inversão. "Perspetivamos que o Ultra ultrapasse as vendas do modelo 17 padrão", afirma Flores.

Esta confiança baseia-se na procura crescente por uma "experiência absoluta" de fotografia, onde o smartphone deixa de ser uma ferramenta recreativa para se tornar um instrumento de trabalho. "Já não falamos apenas de fotos de férias. São criadores de conteúdo, profissionais e amadores avançados que escolhem o Ultra pela diferenciação que ele oferece", afirma.

O poder da imagem: 3,7 milhões de momentos por minuto

Para contextualizar a importância da fotografia nos telemóveis hoje em dia, Tiago Flores sublinha estatísticas globais: a cada minuto, são tiradas cerca de 3,7 milhões de fotos em todo o mundo. Destas, 9 em cada 10 são captadas por smartphones. "O telemóvel tornou-se o elemento principal na captação de conteúdo a nível global", diz.

Para potenciar esta realidade, o novo sistema operativo Xiaomi HyperOS 3, a nova versão do sistema operativo que irá integrar os modelos da marca, integra funcionalidades de Inteligência Artificial que simplificam o fluxo criativo, como o Gemini da Google, integrado nativamente, ou o VideoLive, uma funcionalidade desenvolvida com a Leica que permite criar vídeos cinematográficos curtos (de 6 a 7 segundos) com edição automática de ritmo, alternando entre movimento real e slow motion com gradação de cor profissional para fácil partilha nas redes sociais.

Hardware de "Elite"

A série é alimentada pela plataforma Snapdragon 8 Elite Gen 5, da Qualcomm, produzida num processo de 3nm. Este SoC inclui a CPU Qualcomm Oryon de 3.ª geração e a GPU Adreno de última geração, capaz de garantir fluidez em tarefas exigentes como a gravação de vídeo em 8K ou o processamento de ficheiros Log a 4K e 120 fps.

O modelo 17 "standard", mais compacto, integra mais bateria do que o Ultra.
O modelo 17 "standard", mais compacto, integra mais bateria do que o Ultra.Xiaomi

A autonomia também recebeu um salto tecnológico com a bateria Xiaomi Surge, de tecnologia de ânodo de silício-carbono, que permite armazenar muito mais energia no mesmo espaço físico. O Xiaomi 17, apesar de ser o modelo compacto da série, vem equipado com uma bateria de 6330mAh.

Já o Xiaomi 17 Ultra conta com 6000mAh. O maior tamanho das lentes obriga a uma redução na capacidade da bateria, a densidade energética superior permite que o Ultra mantenha um perfil de apenas 8,29mm de espessura.

Ainda no que toca a energia, de destacar que a marca chinesa, no Ultra, inclui HyperCharge de 100 Watts.

Interligação com a Leica

Ainda que o Xiaomi 17 Ultra já seja representativo de um desenvolvimento conjunto profundo, o maior símbolo da parceria com a casa fotográfica alemã aparecerá mais à frente, este ano: o Leica Leitzphone powered by Xiaomi.

Trata-se de um dispositivo ultraexclusivo, com acabamento em níquel anodizado e um anel físico de controlo de zoom (Leica Camera Ring), que será vendido apenas em canais selecionados como as lojas Leica e Mi.com.

"É um telefone que simboliza que a integração das duas marcas já atingiu um nível de statement absoluto no mercado", diz Tiago Flores.

Esse sim promete ser uma câmara fotográfica que também faz chamadas - se é que os telefones ainda servem para isso.

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