O mercado financeiro norte-americano reagiu em queda às projeções de vitória democrata nas eleições intercalares nos EUA.
O mercado financeiro norte-americano reagiu em queda às projeções de vitória democrata nas eleições intercalares nos EUA. FOTO: EPA / Sarah Yenesel

Wall Street reage em baixa ao avanço democrata e perspetiva de "vaga azul" agita mercados de futuros

Receios com impostos, supervisão sobre as tecnológicas e risco de paralisia legislativa ensombram o investimento perante nova correlação de forças no Congresso.
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Os primeiros resultados e projeções das eleições intercalares norte-americanas estão já a provocar ondas de choque nos mercados financeiros de Wall Street, com as praças de futuros a registarem perdas expressivas face ao cenário de uma "onda azul" (democrata) a tomar conta de Washington.

Os futuros do índice tecnológico Nasdaq 100 chegaram a cair 1,8%, enquanto os do S&P 500 cederam cerca de 0,9%, refletindo o nervosismo dos investidores institucionais perante a confirmação de vitórias determinantes da oposição democrata na Carolina do Norte, Geórgia, Nova Jérsia, Pensilvânia e Colorado.

A reação negativa dos mercados centra-se, em larga medida, nas implicações legislativas e regulatórias de um Congresso dividido ou inteiramente recuperado pelo Partido Democrata.

Os investidores receiam uma pressão regulatória sobre a Inteligência Artificial e Big Tech. As tecnológicas lideraram os ganhos nos mercados ao longo do último ano, mas uma maioria democrata na Câmara dos Representantes e eventuais avanços no Senado colocam em mira uma supervisão muito mais apertada sobre modelos de IA de fronteira, consumo energético de centros de dados, privacidade e regras anticoncorrenciais.

Há receios sobre o que possa acontecer na política orçamental e defesa. O controlo democrata do poder de aprovação do orçamento (power of the purse) promete travar a flexibilização fiscal, limitar novos incentivos fiscais a grandes corporações e impor um escrutínio rigoroso às despesas de defesa e às dotações federais para operações militares externas.

Existe ainda a questão de maior intervenção política sobre a supervisão do setor financeiro. A transição das presidências das comissões parlamentares para mãos democratas reabrirá investigações e exigirá regras de conformidade mais estritas para fundos de investimento, ativos digitais e grandes instituições bancárias.

Os operadores de mercado admitem que o aumento da volatilidade dos ativos continuará nas próximas horas até se conhecerem os resultados definitivos nos estados do Oeste e a definição final da maioria na câmara alta.