Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt.
Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt.Foto: Maria Rita Quitadamo / BCE

Vice-presidente do BCE prevê moderação dos aumentos salariais nos próximos trimestres

A outro nível e face a uma menor evolução dos preços da energia do que no ano anterior, Luis de Guindos acredita que a taxa de inflação para a zona euro deverá estabilizar na meta de 2% a médio prazo.
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O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) garantiu que a inflação na zona euro continua “numa boa posição”, após terminar 2025 nos 2%, exatamente o nível desejado pela instituição, e antecipou uma moderação dos aumentos salariais nos próximos trimestres.

Num discurso proferido na 16.ª edição do “Spain Investors Day”, Luis de Guindos alertou que o forte crescimento salarial continua a impulsionar a inflação subjacente da zona euro, embora tenha salientado que “os indicadores mais prospetivos apontam para uma moderação do crescimento salarial nos próximos trimestres”, estabilizando depois em finais de 2026.

Face a uma evolução dos preços da energia menos intensa do que no ano anterior, o vice-presidente do BCE - cujo mandato termina em 31 de maio – acredita que a taxa de inflação para a zona euro deverá estabilizar na meta de 2% a médio prazo.

No entanto, advertiu que a inflação poderá ser afetada de diferentes formas, podendo ser menor que o esperado se o aumento das tarifas americanas reduzir a procura de exportações da zona euro e se os países com excesso de capacidade, como a China, subirem as exportações para a zona euro.

Em contrapartida, a evolução da inflação poderá superar as expectativas se a maior fragmentação das cadeias de abastecimento globais impulsionar a subida dos preços das importações, reduzir o fornecimento de matérias-primas críticas e agravar as limitações de capacidade na economia da zona euro.

Quanto às perspetivas de crescimento para a região, apesar da complexidade de um ambiente dominado pela incerteza, Guindos destacou a resiliência da atividade económica, apoiada por um mercado de trabalho sólido, com o desemprego próximo do mínimo histórico.

O vice-presidente do banco central recordou que as projeções de crescimento foram revistas em alta, para 1,4% nos próximos anos, impulsionadas pela procura interna nos próximos trimestres, enquanto o investimento empresarial e os gastos públicos substanciais em infraestruturas e defesa devem impulsionar cada vez mais a economia.

Embora se espere um aumento do consumo, Guindos voltou a insistir que a taxa de poupança das famílias apenas está a diminuir gradualmente e a partir de níveis elevados, devido ao seu receio de um aumento dos impostos no futuro e à preocupação com os seus rendimentos.

“A poupança é maior nos países da zona euro com uma situação fiscal mais fraca, como aqueles com rácios da dívida pública em relação ao PIB [Produto Interno Bruto] superiores a 100%”, salientou o ex-ministro da Economia espanhol.

Para Guindos, a elevada incerteza e os acontecimentos geopolíticos também representam riscos para o investimento empresarial, com repercussões relevantes para as exportações da zona euro.

Sendo a zona euro uma economia aberta e profundamente integrada nas cadeias de abastecimento globais e nos mercados financeiros internacionais, Guindos reiterou o aviso de que “está exposta a choques externos e vulnerabilidades decorrentes de acontecimentos geopolíticos e comerciais” e salientou a crescente competitividade da China em setores-chave para as exportações dos países da zona euro.

No entanto, o vice-presidente do BCE reiterou o aviso de que a elevada incerteza no ambiente global não parece refletir-se nos preços atuais, pelo que o surgimento de surpresas negativas, como uma nova escalada das tensões comerciais ou outras tensões geopolíticas, retrocessos nos avanços da Inteligência Artificial (IA) com ajustes nos preços dos ativos relacionados ou a intensificação das dúvidas fiscais sobre os EUA, poderia desencadear mudanças abruptas na confiança, com efeitos indiretos em todas as classes de ativos e geografias.

“O risco geopolítico aumenta significativamente os riscos de desaceleração do crescimento”, afirmou, enfatizando que os países mais dependentes do comércio ou com níveis mais elevados de dívida pública correm um risco maior de sofrer os efeitos de amplificação e as consequentes pressões de desaceleração.

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