A venda de combustíveis disparou 17,39% em março, se excluído o combustível para aviação. Para encontrar um aumento tão alto quanto aquele que se registou no primeiro mês da guerra entre EUA e Irão, é preciso recuar quase três anos.Aquele mês ficou marcado por um aumento agressivo nos preços dos derivados de petróleo. Ainda assim, a procura de empresas e consumidores cresceu como não se via desde 2023 e, a somar a isto, atingiu um patamar que não se via há mais de dois anos.Na origem poderá estar a intenção de formar reservas de combustível, de forma a resistir ao aumento de preços, na expetativa de que estes acabem por baixar. Para tal, porém, ainda falta as tensões reduzirem no Médio Oriente, de forma a que o trânsito no estreito de Ormuz regresse ao normal.Certo é que os dados da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) indicam que a procura por combustíveis (gasóleo e gasolina) cresceu 17,39% em março, face ao mesmo mês do ano passado. Em causa está a subida mais acentuada desde abril de 2023 (variação de 21,83% naquele mês).Ao nível do gasóleo, que tem a maior quota de mercado, o crescimento homólogo foi de 15,95%, para 465.067 toneladas. Posto isto, atingiu o nível de procura mais alto desde maio de 2023 (quando se atingiram as 478 mil toneladas).No caso da gasolina, março de 2026 trouxe um acréscimo de 23,33%, até às 119.119 toneladas, o que significa o maior volume de vendas desde agosto do último ano (133 mil toneladas naquele mês).De resto, trata-se de uma aceleração particularmente acentuada face aos primeiros meses do presente ano. É que o aumento homólogo de 17,39% no consumo de combustíveis contrasta com as subidas de 0,19% em janeiro e 1,91% em fevereiro. A mesma tendência fica evidente na gasolina, cuja procura aumentou 11,20% e 11,91%, respetivamente, e sobretudo no gasóleo, no qual até se registaram reduções, em janeiro e fevereiro.Combustível de aviação segue pelo mesmo caminhoTambém no jet fuel (combustível de aviação) se regista um aumento acentuado, na ordem de 14,90%, para um total de 154.486 toneladas. O aumento homólogo no consumo não era tão expressivo desde dezembro de 2023 (subida de 16,39%) e atingiu um total que não se via desde outubro do ano passado (168 mil toneladas).No total, entre gasolina e gasóleo, o consumo mensal subiu, em março, 25% em termos mensais (face a fevereiro 2026). Para encontrar um mês de março em que o consumo foi mais elevado é preciso recuar a 2023. É que, de março daquele ano para março de 2026, a procura caiu 8,37%.Preços em forte altaA tendência de aumento do consumo mostra resiliência de empresas e consumidores, já que os preços dispararam de forma agressiva, em reflexo da guerra entre EUA e Irão.O Preço Médio de Venda ao Público (PMVP) do gasóleo simples subiu 26,7 cêntimos por litro em março (mais 16,25%), por comparação com fevereiro. No caso da gasolina, a subida foi menos agressiva, ao marcar 13,5 cêntimos (avanço de 7,88%).Um comparativo entre as 27 economias europeias sobre o Preço Médio Antes de Imposto (PMAI) do gasóleo, permite concluir que Portugal registou 12.º valor mais alto. No que respeita ao preço após impostos (PMVP – Preço Médio de Venda ao Público), ficou na mesma posição.Olhando à gasolina, a economia nacional ficou entre as 10 mais caras da UE. É que os dados colocam Portugal na 8.ª posição no PMAI e a 7.ª no PMVP.Presente e futuroPor esta altura, já se discute a possibilidade de haver um esgotamento das reservas de combustível nas próximas semanas. De resto, a escalada de preços também afeta o combustível de aviação, pelo que algumas transportadoras aéreas já alertaram que nem todos os voos agendados estão garantidos. De resto, dezenas de milhares de voos foram cancelados pelas próprias empresas, em virtude de não conseguirem suportar os custos associados. No mesmo âmbito, os preços para marcar viagens dispararam, desde março.Esta segunda-feira, o PVP diário do litro de gasóleo simples subiu 5,1 cêntimos e atingiu 2,022 euros. Em simultâneo, a gasolina encareceu 2,1 cêntimos por litro, até aos 2,014 euros. De resto, olhando para as mexidas registadas durante o dia, o cenário não é animador. Até às 19h30 de segunda-feira, o Petróleo Brent ficou 2,60% mais caro e atingiu 112,10 dólares por barril. Este é a referência europeia para as negociações de contratos futuros de crude. Em simultâneo, WTI, que é o homónimo de Nova Iorque avançou 3,24%, com o barril a alcançar os 104,29 dólares.