O acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul vai entrar provisoriamente em vigor a partir de 01 de maio, indicou esta segunda-feira, 23, a Comissão Europeia.Em comunicado, a Comissão Europeia indica que cumpriu hoje o último passo formal que é necessário para a aplicação provisória do acordo comercial, ao enviar uma nota verbal ao Paraguai, país que detém atualmente a presidência do Mercosul.“O acordo comercial será, assim, aplicado provisoriamente a partir de 01 de maio entre a UE e todos os países do Mercosul que completarem os seus processos de ratificação e notificarem a União Europeia (UE) antes do final de março – a Argentina, Brasil e Uruguai já o fizeram. O Paraguai ratificou recentemente o acordo e espera-se que envie a notificação brevemente”, indica o executivo comunitário.A Comissão Europeia refere que a aplicação provisória do acordo comercial garante a “eliminação de tarifas sobre certos produtos desde o primeiro dia, criando regras previsíveis para o comércio e o investimento”.“As empresas, os consumidores e os agricultores da UE podem, assim, começar a colher imediatamente os benefícios do acordo, enquanto os setores sensíveis da economia da UE estão plenamente protegidos por salvaguardas robustas”, afirma o executivo.A Comissão Europeia acrescenta ainda que a aplicação provisória vai garantir uma colaboração reforçada entre a UE e o Mercosul em questões como os direitos laborais ou as alterações climáticas e irá “criar cadeias de abastecimento mais resilientes e fiáveis, essenciais sobretudo para o fluxo previsível de matérias-primas críticas”.Citado no comunicado, o comissário para o Comércio, Maroš Šefčovič, considera que o dia de hoje é importante para a UE provar a sua “credibilidade como um grande parceiro comercial”.“A prioridade agora é transformar este acordo UE-Mercosul em resultados concretos, dando aos exportadores da UE a plataforma de que precisam para aproveitar novas oportunidades de comércio, crescimento e emprego. A aplicação provisória permite-nos começar a cumprir essa promessa”, afirma.Em 27 de fevereiro, a presidente da Comissão Europeia indicou que a instituição ia avançar com a aplicação provisória do acordo entre a UE e o Mercosul, que tem sido contestado pelo setor da agricultura e por países como a França e a Polónia.O acordo só pode ser plenamente concluído quando for votado e aprovado pelo Parlamento Europeu, processo que está atualmente parado depois de, em janeiro, os eurodeputados terem decidido enviar o acordo para o Tribunal de Justiça da UE para verificar a sua conformidade com a legislação comunitária.O acordo, assinado em 17 de janeiro depois de mais de 20 anos de negociações, visa eliminar ou reduzir drasticamente as tarifas alfandegárias entre os dois blocos.Além da parte comercial, o acordo inclui ainda uma parceria política, tendo esta de ser ratificada por todos os Estados-membros.O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é uma organização intergovernamental sul-americana fundada em 1991, com sede em Montevideu.É um dos maiores blocos económicos em produto interno bruto (PIB), o maior produtor de alimentos do mundo e integra Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai. .Acordo UE-Mercosul deve entrar provisoriamente em vigor em maio