A ASML, a empresa tecnológica mais valiosa da Europa e peça-chave na produção global de semicondutores, anunciou esta quarta-feira (28 de janeiro) uma mudança estrutural profunda. Ao mesmo tempo que reportou encomendas recorde impulsionadas pela Inteligência Artificial (IA), a gigante neerlandesa revelou que irá eliminar 3000 cargos de gestão, enquanto irá reforçar as contratações nas áreas de engenharia, para aumentar a sua capacidade de inovação.A procura por máquinas de litografia avançada, essenciais para produzir os chips de IA da Nvidia, levou as encomendas da ASML a atingir os 13,2 mil milhões de euros no quarto trimestre. Este valor representa quase o dobro dos 7,1 mil milhões registados no período homólogo e esmaga as previsões dos analistas, que estimavam cerca de 6,32 mil milhões.Christophe Fouquet, CEO da ASML, sublinhou que a expansão de clientes como a TSMC, a Samsung e a Micron está a traduzir-se diretamente em encomendas massivas. "A Micron tem anunciado novas fábricas quase todas as semanas, o que tem uma tradução direta nas nossas encomendas", referiu, citado pela Reuters.Menos burocracia, mais inovaçãoApesar dos números muito positivos, o plano de reestruturação da empresa foca-se na eliminação da complexidade organizacional. Embora a empresa vá reduzir 1700 postos de trabalho imediatos (cerca de 3,8% do pessoal), o plano a longo prazo prevê a extinção de um total de 3000 funções de gestão. O objetivo é claro: libertar recursos financeiros e operacionais para contratar mais engenheiros."Os nossos engenheiros disseram-nos que muito do tempo que gastam já não é em inovação, porque a organização se tornou demasiado complexa", explicou Fouquet. Com esta "limpeza" nas estruturas de chefia, a ASML pretende que o seu "motor de inovação" volte a funcionar sem os entraves da burocracia corporativa.Perante este cenário, a ASML elevou as suas previsões para 2026 e anunciou um programa de recompra de ações de 12 mil milhões de euros até 2028.No entanto, e mesmo perante este processo de agilização da atividade, o mercado reagiu com alguma cautela. As ações chegaram a subir 6%, mas fecharam com uma queda de 1,9% (1194 euros). A grande dúvida dos analistas agora não é a falta de encomendas, mas sim se a ASML terá capacidade física de produção para entregar todas as máquinas solicitadas num mercado de IA que continua em aceleração vertical.