Inflação portuguesa atinge valor mais alto dos últimos três anos
A inflação portuguesa, o indicador da evolução dos preços do consumidor, registou um agravamento de 3,6% em setembro face a igual mês de 2025, naquela que é a subida mais elevada dos últimos três anos, desde setembro de 2023, mostram dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), esta quarta-feira.
"Tendo por base a informação já apurada, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) terá aumentado para 3,6% em setembro de 2026", superando assim os 3,3% registados na inflação homóloga de agosto e igualando a marca de setembro de 2023, quando a guerra da Ucrânia ainda durava há cerca de ano e meio, mas já alimentando um choque petrolífero.
O INE explica no destaque com os dados preliminares da inflação que "a aceleração do IPC é explicada em grande medida pelo aumento do preço dos combustíveis" pois expurgando o efeito dos produtos de energia e alimentares, "o indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) terá registado uma variação de 2,7%, taxa superior em 0,1 p.p. à do mês precedente".
Olhando apenas para os produtos energéticos percebe-se a dimensão do choque em curso, agora com os efeitos acumulados da guerra da Ucrânia e do conflito no Médio Oriente e no Irão, que rebentou no final de fevereiro de 2026 com os ataques dos EUA e de Israel.
A variação dos preços dos produtos energéticos "aumentou para 15,4% (12,2% no mês anterior) e o índice referente aos produtos alimentares não transformados registou uma variação de 3,6% (3,4% em agosto)", refere o INE.
Portanto, ambos estão a acelerar, puxando a inflação geral para cima e corroendo o poder de compra dos consumidores em Portugal, sobretudo os menos abonados, que têm de dedicar maior parte do seu rendimento mensal a bens de primeira necessidade como comida e energia.
"Comparativamente com o mês anterior, a variação do IPC terá aumentado para 1,2%", diz ainda o instituto das estatísticas portuguesas.
Fazendo a média dos últimos doze meses, a inflação portuguesa subiu de 2,7% em agosto para 2,8% em setembro, calcula o INE.
Tiago Correia, economista do gabinete de estudos do BPI (BPI Research), diz numa nota rápida sobre os novos dados do INE que os riscos continuam "em alta no nosso cenário de previsões".
"A elevada volatilidade dos preços da energia condiciona a evolução da inflação. Após a assinatura do memorando de entendimento entre os EUA e o Irão, os preços corrigiram rapidamente, mas, após a sua ruptura e o recomeço dos bombardeamentos no estreito de Ormuz, voltaram a aumentar" e "o mercado de futuros antecipa um preço médio do petróleo de 90 dólares por barril e do gás de 55 euros por MWh para o conjunto do ano, face aos 87 dólares e aos 53 euros considerados no nosso cenário atual de previsões".
O analista refere ainda que, "em setembro, o IPC da energia explica 0,95 p.p. dos 3,6% da inflação (0,75 p.p. em agosto)".
"Os preços dos combustíveis no retalho divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) são bem ilustrativos deste choque", continua o economista.
"Em setembro o preço médio da gasolina simples 95 aumentou 6,2% (para 2,07 euros/litro) face ao mês anterior e o gasóleo simples 5,1% (para 2,13 euros/litro)." Estes valores "correspondem a variações homólogas expressivas: 22% e 37%, respetivamente".
"Noutra componente da energia, a eletricidade, a ERSE anunciou um aumento de tarifa no mercado regulado a partir de dia 1 de outubro. Isto deverá representar para a maioria dos clientes domésticos do mercado regulado um aumento de aproximadamente 2,7% na fatura média mensal de eletricidade", relembra o mesmo analista do BPI Research.
Os números oficiais avançados pelo instituto, esta quarta-feira (30 de setembro), são preliminares. "Os dados definitivos referentes ao IPC do mês de setembro serão publicados no próximo dia 13 de outubro", indica o INE.
