Luís Rodrigues assumiu a liderança da TAP em abril de 2023 e apresentou lucros recorde nesse ano.
Luís Rodrigues assumiu a liderança da TAP em abril de 2023 e apresentou lucros recorde nesse ano.Reinaldo Rodrigues / Global Imagens

TAP refreia ânimos após prejuízos e garante estar a cumprir orçamento

CEO da transportadora e administrador financeiro estão confiantes de que a companhia consiga fechar o ano com lucros, apesar do aumento dos custos com os trabalhadores.
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Não há motivos para alarme no que respeita às contas da TAP. Esta foi a mensagem principal que tanto o CEO da transportadora aérea, Luís Rodrigues,  como o administrador financeiro, Gonçalo Pires, deixaram esta terça-feira no Parlamento. Chamados para prestar declarações sobre a saúde financeira da companhia e  os prejuízos dos últimos dois trimestres,  no âmbito dos requerimentos apresentados pelo Chega e pelo PSD, ambos refrearam cenários catastróficos e garantiram que a operação está a fluir dentro das expectativas, prevendo-se que a empresa feche o ano com lucros.

“Apesar de os resultados do primeiro trimestre [terem sido negativos], o que mediaticamente parece que não está a correr bem, é preciso ter paciência para nesta indústria olhar mais para a frente”, disse o presidente executivo da empresa na Comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação.

Luís Rodrigues garantiu que os maus resultados dos últimos dois trimestres não vão beliscar as contas da transportadora este ano. “À data de hoje não temos nenhuma indicação de que não vamos cumprir o orçamento que temos para a TAP este ano. Não temos nenhum motivo para não acreditar que a TAP não vá cumprir o seu orçamento, não ser uma referência para o setor e um orgulho para o país. A empresa tem todas as condições para ser aquilo que tem de ser”, atestou.

O também chairman da transportadora aérea informou que há indicadores que permitem desenhar uma previsão otimista. “Posso dar nota de que, com as reservas que temos no sistema para os próximos seis meses e com a visibilidade de um conjunto de custos, como o combustível, estamos relativamente protegidos, não há nenhuma indicação de que não consigamos cumprir o orçamento”, reiterou.

Já sobre os prejuízos, foi ao dossiê laboral que atribuiu responsabilidades e relembrou que no primeiro trimestre de 2023 a massa salarial dos trabalhadores era alvo de cortes de 20% a 40%, situação que não se verificou este ano. “Os números imputam aos custos com pessoal os prejuízos. E é natural, a economia e o mercado já tinham recuperado [no ano passado] e não era esperado que os cortes [salariais, impostos no âmbito do plano de reestruturação] se mantivessem. É um investimento feito que está a dar os seus resultados paulatinamente”, assegurou, destacando o clima “de paz social” na empresa, que diz acreditar “se irá manter”, depois de conseguir negociar os novos acordos de empresa com os vários sindicatos.

Recorde-se que a TAP registou um lucro histórico de 177,3 milhões de euros em 2023, mas, ainda assim, o saldo dos últimos três meses do ano foi negativo em 26,2 milhões de euros, que comparam com o resultado líquido positivo de 156,4 milhões no período homólogo. As perdas estenderam-se ao primeiro trimestre deste ano, com prejuízos de 71,9 milhões de euros, o que representa um agravamento de 14,5 milhões face aos primeiros três meses de 2023.

Ouvido antes, o administrador financeiro sublinhou que a empresa é viável e sustentável. “Vivemos um momento histórico na TAP. Os resultados de 2023 foram históricos não só porque comparamos com o que fizemos antes, mas porque superam o plano de reestruturação. Hoje a TAP vende 4,2 mil milhões de euros com menos aviões do que tinha em 2019. Há algo de diferente na TAP e na gestão da operação diária que nos permite fazer mais com menos”, referiu.

O chief financial officer (CFO) garantiu que os resultados estão acima das métricas definidas no plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia, o que permite “medir a qualidade da gestão e o mérito da implementação” do documento de Bruxelas.

Custos com trabalhadores e sazonalidade ditaram prejuízos
No capítulo dos prejuízos, os argumentos apresentados não foram novidade e sustentaram-se nos números já divulgados nos relatórios de contas da transportadora aérea.  

O responsável pela tesouraria da empresa pública apontou os custos com pessoal resultantes da assinatura dos novos acordos de empresa no ano passado, a inflação e o aumento dos preços com o combustível como principais impulsionadores do desvio no balanço destes dois trimestres. A somar está ainda a sazonalidade, considerando que o período alto de operação é entre abril e outubro, sendo o verão a época mais pujante para os cofres da companhia.

Ainda assim, estas variáveis não parecem ser ameaça ao resultado positivo esperado no final deste ano. “Não estamos acima do orçamento ao dia de hoje. Temos rubricas nas quais estamos acima e outras que nos permitem ganhar folgas, e estamos a conseguir ganhos consideráveis nessas rubricas com folgas”, explicou Gonçalo Pires.

Confiante, o CEO garantiu que o seu objetivo é “ter uma empresa sustentada para o país. Não estou à procura de recordes ano após ano, mas de estabelecer a TAP como uma empresa rentável, que pague muito bem aos seus funcionários e aos acionistas. Se vamos ter [resultados] de 177 milhões de euros, não sei, não vou fazer futurologia”, disse.

“Enquanto empresa pública, o nosso objetivo não é maximizar o lucro mas ser rentável. [A TAP] tem de ser sustentadamente rentável enquanto cumpre as obrigações de uma empresa pública”, acrescentou.

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