Os preços dos combustíveis voltam a subir esta segunda-feira, dia 4 de maio, com o gasóleo a aumentar cerca de 10 cêntimos por litro e a gasolina 6,5 cêntimos, segundo previsões divulgadas pela Anarec, a associação que representa o setor da revenda destes produtos, e avançadas pela Lusa. As estimativas resultam da evolução das cotações internacionais do petróleo e do fecho dos mercados da última semana, num contexto marcado pela instabilidade geopolítica no Médio Oriente e pelas perturbações no transporte marítimo de crude. A atualização deverá refletir-se nos postos de abastecimento de todo o país logo a partir desta madrugada, com impacto direto no orçamento das famílias e das empresas.Com estas variações, o preço médio do gasóleo simples deverá aproximar-se dos 2,06 euros por litro, enquanto a gasolina 95 deverá fixar-se perto dos 1,99 euros, o que atira para 102,75€ o custo de encher um depósito de gasóleo com 50 litros, e um de gasolina com o mesmo volume ficará por 99,65€.A tendência confirma o agravamento já antecipado por entidades do setor no final de abril, que alertavam para a pressão crescente sobre o Brent, cuja cotação tem registado oscilações acentuadas devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz e ao aumento das tensões regionais. A conjugação destes fatores tem condicionado o mercado europeu e reduzido a margem de estabilidade dos preços ao consumidor.Apesar da dimensão do aumento, não há indicação de que o Governo venha a aplicar medidas extraordinárias de mitigação fiscal. Mantém-se em vigor o mecanismo que permite ajustar o ISP quando as variações ultrapassam 10 cêntimos, mas até ao final deste domingo não foi comunicada qualquer alteração para a semana de 4 a 10 de maio. A ausência de intervenção poderá reforçar o impacto das subidas, num momento em que o consumo energético já se encontra pressionado por meses consecutivos de volatilidade.As associações do setor sublinham que a evolução das próximas semanas dependerá sobretudo da estabilização das rotas marítimas e da capacidade de resposta dos países produtores, fatores que permanecem imprevisíveis. A Anarec alerta que a persistência das perturbações no mercado internacional poderá prolongar a tendência de subida, lembrando que a oferta global continua condicionada por fatores externos que escapam ao controlo dos estados europeus.Este domingo, os países-membros da OPEP+ iniciaram o aumento da produção petrolífera e voltaram prometer subida da extração para mais 188 mil barris de petróleo por dia em junho, apesar da saída dos Emirados Árabes Unidos.Reação políticaEntretanto, o PS voltou a defender a descida do IVA dos combustíveis e indicou que quer chamar ao Parlamento as associações representativas das empresas petrolíferas.Numa declaração aos jornalistas, no Porto, noticiada pela Lusa, o deputado João Torres afirmou que o aumento desta segunda-feira é “muito significativo” e desafiou o Governo a descer o imposto sobre o consumo (IVA) dos combustíveis de 23% para 13%, medida que o Executivo PSD/CDS-PP tem rejeitado pôr em cima da mesa.“É uma medida absolutamente necessária para que o Estado dê um sinal de apoio neste momento de maior dificuldade”, sustentou, acrescentando que “é nos momentos de maior dificuldade que o Estado deve estar disponível para apoiar as famílias e as empresas”.Na mesma conferência de imprensa, o dirigente socialista anunciou que vai propor a audição na Assembleia da República das “associações que representam os retalhistas de combustível e as empresas petrolíferas, para que também em sede parlamentar possam partilhar aquela que é a sua visão e as suas preocupações sobre o momento” dos preços.